"Eu também fui numa aventura com amigos. Não teve nada de interessante, mano, não precisa ficar tão curioso."
"Aliás, meus colegas ainda estão esperando, a gente se vê numa próxima."
Thiago terminou de falar, acenou para os outros e já se preparava para sair de fininho.
Lorena, achando graça da situação, segurou a camisa dele e disse: "Seu irmão não vai te comer."
Thiago se virou e trocou um olhar com Nivaldo. Ao encontrar aquele olhar duro, sentiu um calafrio no coração.
Forçou um sorriso: "Tia, o que está dizendo? Sem motivo algum, por que o Nivaldo comeria alguém? Estou é com medo de chegar tarde e ficar sem comida. Você não tem ideia, meus colegas parecem que não comem há dias; se eu chegar atrasado, nem o caldo vai sobrar pra mim."
Nivaldo não respondeu, apenas soltou um "hum" com a voz levemente elevada.
Thiago sentiu que aquele tom de voz parecia um anzol de ferro que fisgava seu coração com força.
Suspirou, mordeu os lábios e confessou: "Tá bom, eu admito, fui eu que contei para a tia sobre você e a minha cunhada juntos. Não me olha desse jeito."
Desde o momento em que entrou no elevador, o olhar dele já estava estranho.
Nem conversava direito, o tom de voz era esquisito, como se já tivesse descoberto tudo.
No começo, nem sentia culpa, mas, aos poucos, foi ficando cada vez mais assustado.
Evelina arregalou os olhos, intrigada, e perguntou sem querer: "Contou o quê?"
Thiago respondeu com um "hum", e confessou: "Da última vez que vim aqui comer, vi você, cunhada, com o Nivaldo. Você segurava um buquê de flores e meu irmão te abraçava quando saíram. Nunca tinha visto isso antes, fiquei empolgado e fui contar pra tia."
Evelina se lembrou.
Nivaldo só tinha lhe dado flores duas vezes.
Uma foi ontem, e a outra foi quando comemoraram a reabertura do ateliê dela neste mesmo local.
Não imaginava que Thiago teria presenciado.
Thiago, ao contar, ficou envergonhado: "Eu nem sabia que era o primeiro a saber. O problema é que corri atrás de vocês e não alcancei. Se soubesse que vocês ainda não queriam contar, jamais teria falado com a tia, mesmo estando empolgado. Desculpa, cunhada."
Uma coisa tão pequena.
Pelo jeito dele, parecia algo muito sério — mas, no fim, ainda era só um garoto.
Evelina sorriu para ele: "Tudo bem, não foi nada demais."
Thiago arregalou os olhos: "Mesmo não sendo problema?"
Evelina assentiu, e deu um leve toque em Nivaldo.
Nivaldo olhou para Thiago e acenou com a cabeça.
Ele só achava Thiago estranho e quis testá-lo, sem imaginar que era por isso.
No início, não comentou nada para não deixar Evelina desconfortável; depois que Lorena soube, nem se questionou sobre como ela descobrira.
Lorena sorriu, deu um tapinha no ombro de Thiago e disse: "Já falei que o Nivaldo não vai fazer nada com você. Olha só pra você, todo assustado."
Para ser sincera, só ficou tranquila por conviver tanto tempo ao lado de Nivaldo.
Na primeira vez que o viu, aquele jeito sério realmente a assustou um pouco.
Thiago, levando surras desde pequeno, ter medo era normal.
Thiago nem fazia ideia de que ainda era tema da conversa. Se soubesse, certamente pularia para se defender.
Quando criança, até aceitava dizer que tinha medo.
Mas agora, ainda era medo?
Era respeito!
Admiração!
Reverência...
————
As duas salas reservadas ficavam nas extremidades opostas do mesmo corredor.
Thiago chegou à porta da sala, olhou para trás e viu que Evelina e os outros também entravam em sua sala.
Desviou o olhar e, quando já se preparava para entrar, ouviu ao fundo uma voz feminina conhecida.

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