“Não acredite no que ele disse, eu não me assustei.”
Ao perceber que o tom dela não parecia fingido, Lorena finalmente respirou aliviada.
Ainda bem.
Foi difícil conseguir uma nora, perder ela por causa de um susto seria imperdoável.
Ela ajeitou o peito, sorriu para Evelina e disse: “Vamos conversar nós duas, ignore ele.”
Evelina assentiu, achando graça. “Está bem.”
Pelo retrovisor, Nivaldo viu as duas com os rostos iluminados por sorrisos, conversando animadamente, uma respondendo à outra com grande afinidade.
Dentro do carro, o espaço era pequeno e as vozes femininas, com timbres diferentes, preenchiam o ambiente sem parar. Nivaldo curvou levemente os lábios.
Não sentiu incômodo algum, pelo contrário, sentiu-se em paz.
O carro parou no estacionamento. Assim que desceu, ouviu uma voz forte vindo de não muito longe.
“Tia!”
Antes de ver quem era, já se ouvia sua presença.
Os três levantaram a cabeça ao mesmo tempo e olharam na direção da voz.
Thiago correu rapidamente até eles.
Evelina não o conhecia, apenas ficou observando em silêncio ao lado.
Thiago parou diante do grupo, recuperou o fôlego e só então olhou para Nivaldo e o cumprimentou: “Nivaldo.”
Nivaldo assentiu, respondendo: “O que faz aqui?”
Thiago abriu um sorriso, e tanto o semblante quanto a expressão lembravam um pouco Lorena.
O rosto era bonito e simpático, os traços harmoniosos, o sorriso no canto dos lábios transmitia calor e pureza, como o sol de inverno.
“Combinei com colegas de comer aqui perto. Assim que desci do carro, vi o seu chegando. Vim cumprimentar vocês.”
Ele olhou para Evelina ao lado e piscou para Nivaldo. “Nivaldo, não vai apresentar?”
Nivaldo lançou um olhar para Evelina e apresentou com naturalidade: “Evelina, sua cunhada.”
Thiago arqueou as sobrancelhas.
Era isso mesmo.
De longe, ele já tinha achado familiar; era igual à pessoa que viu no estacionamento outro dia.
Ele estendeu a mão, abriu um sorriso e disse: “Prazer, cunhada. Eu sou Thiago, primo do Nivaldo. Pode me chamar de Thiago.”
Evelina também estendeu a mão e retribuiu o sorriso gentilmente. “Prazer.”
Agora que todos estavam apresentados, Lorena os chamou: “Pronto, já chega de conversa aqui. Vamos comer. Thiago, vai com a gente?”
Ela olhou para Thiago.
“Não, não.” Thiago balançou a cabeça rapidamente, recusando. “Combinei com meus colegas, mas subo com vocês.”
“Então vamos.” disse Lorena.
Será que o irmão tinha ouvido tudo? Até sussurrando ele ouvia!
“Você escutou errado, irmão, não falei nada disso.” Thiago balançou a cabeça, pensando rápido para arranjar uma desculpa. “Eu estava contando pra tia sobre um lugar chamado Aldeia da Pintura. Perguntei se ela lembrava, não é, tia?”
Ele piscou desesperadamente para Lorena, pedindo ajuda.
Lorena revirou os olhos diante daquele comportamento, mas afinal era seu sobrinho, então não o desmascarou, respondendo com um tom arrastado: “É.”
Thiago imediatamente ficou grato.
Faltou só ajoelhar e agradecer à Lorena.
Aliviado, disse: “Aldeia da Pintura, isso mesmo, o nome até parece. Tia confirmou. Irmão, você anda trabalhando demais, precisa descansar mais, já está ficando com a audição ruim.”
O elevador abriu.
Nivaldo entrou com Evelina, olhando para Thiago sem expressão, e disse em tom neutro: “É mesmo?”
Thiago parou por um instante, sentindo-se culpado sob o olhar do irmão.
Mesmo assim, entrou depressa no elevador, virou-se de costas para Nivaldo e, limpando a garganta, respondeu sem hesitar: “Isso mesmo. Tá vendo, até escutou errado.”
O elevador começou a subir, Nivaldo olhou para as costas dele e perguntou: “Onde fica essa Aldeia da Pintura?”
Mesmo de costas, Thiago já imaginava a expressão de Nivaldo.
Justo então, o elevador parou.
Thiago saiu imediatamente, com uma risada de desdém: “É uma vila pequena, quase não tinha moradores, agora está toda abandonada. Lá só tem mato, as estradas são de terra, e o capim dos dois lados é mais alto que gente.”

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