"Thiago."
Thiago levantou a cabeça e olhou na direção da voz.
Viu apenas que, no corredor à frente, aparecera uma jovem de dezoito ou dezenove anos.
A garota vestia uma blusa de tricô bege de manga longa, combinada com uma calça pantalona da mesma cor.
Tinha cabelos pretos, curtos até a altura das orelhas, trançados dos dois lados a partir do topo da cabeça, prendendo toda a franja para trás, o que deixava seu rosto ainda mais delicado.
Seus olhos fitavam Thiago diretamente, transmitindo uma doçura e obediência aparentes.
Thiago, porém, sabia bem que ela não era como parecia e soltou um resmungo frio, fingindo não ouvir e se virou, pronto para entrar no salão reservado.
Diante de tamanha indiferença, Fabiana Martins franziu as sobrancelhas, visivelmente irritada.
Aproximou-se rapidamente e segurou o braço dele. "Espere um instante, preciso falar com você."
Thiago olhou para o pulso que ela segurava, sem a menor cordialidade. "Solte, não tenho nada para falar com você."
Sua voz era fria e distante, com um quê de desdém.
Fabiana também era teimosa; quanto mais ele se mostrava assim, menos ela estava disposta a ceder.
"Se não conversar comigo, não solto." Fabiana segurou firme, fazendo birra. "Abra a porta, vou entrar com você, não tenho medo."
O olhar de Thiago se tornou gelado, e ele soltou uma risada seca. "Você é tão irritante quanto sua mãe."
Fabiana franziu ainda mais o cenho e o encarou, descontente. "Não fale da minha mãe."
Por mais que Thiago não gostasse dela, jamais levantaria a mão para agredi-la. Mexeu o braço, impaciente, e disse apenas uma palavra: "Solte."
Fabiana entendeu que ele aceitara conversar e soltou o braço imediatamente.
"Fale." Thiago foi direto, demonstrando total falta de paciência.
Fabiana apertou os lábios.
Ela sabia que Thiago não gostava dela.
E ela também não gostava do Thiago.
Em outras circunstâncias, diante dessa atitude, teria simplesmente ido embora.
Mas desta vez, era ela quem tinha um assunto a resolver.
"Com quem você subiu agora há pouco?"
Thiago nem a olhou. "O que isso lhe importa?"
Fabiana: "..."
Respirou fundo, repetindo mentalmente que ignoraria o que Thiago dissera, e conteve-se.
Ergueu o queixo e perguntou: "Foi com Nivaldo e a mãe dele?"
Ao ouvir a expressão "a mãe dele", a temperatura ao redor de Thiago caiu vários graus.
Ele riu ironicamente. "Quem é a mãe dele?"
Fabiana bateu o pé. "Não se faça de bobo, você sabe de quem estou falando."
Thiago respondeu com indiferença. "Não sei."
Fabiana curvou os lábios, lançou-lhe um olhar ressentido e viu que ele permanecia com a expressão fechada, completamente apático.
Mordeu os lábios e disse: "Você subiu com Nivaldo e... com a tia também, não foi?"
As palavras "tia" saíram quase inaudíveis, ditas sem vontade.
Thiago a encarou, sem expressão, e zombou: "Melhor nem chamar de tia. Minha tia não quer esse título."
Fabiana ficou realmente irritada, o rosto avermelhado de raiva. "Você está passando dos limites! Não fui eu que pedi para ela ser minha tia. Se eu não chamo, você reclama; se eu chamo, reclama também. O que você quer afinal?"
"O que eu quero?" Thiago sorriu, mas os olhos não expressavam alegria alguma. "Você sabe o significado de respeito?"
Desde pequena, nunca havia sido tão rejeitada por alguém.
Thiago, você passou dos limites!
Thiago, porém, não se importava com a opinião dela. Ergueu os olhos e a encarou friamente. "Sra. Martins, não sou seu empregado. Não tenho tempo para brincar de casinha com você. Se Nivaldo também é seu irmão, vá perguntar para ele."
Fabiana ficou sem resposta, lançando a Thiago um olhar fulminante.
Se tivesse coragem, já teria perguntado.
Por que procuraria Thiago?
Além do mais, caso não estivesse enganada, Lorena também estava ali.
Não queria mesmo ir.
Fabiana fez um bico ainda maior, a boca tão empinada que quase dava para pendurar um pote de molho shoyu.
Lembrando-se do motivo pelo qual abordara Thiago, conteve a irritação e perguntou: "Quem é aquela mulher que estava com eles?"
Thiago era uma cabeça mais alto que Fabiana.
Abaixou-se para olhá-la, como uma águia observando um pintinho.
Só quando viu Fabiana baixar a cabeça, incapaz de suportar o olhar, resolveu falar: "Quem são eles? E quem é a mulher?"
"Pare de se fazer de bobo!" Fabiana recuou dois passos, irritada, erguendo o queixo para ele. "Eu vi muito bem, Nivaldo trouxe uma mulher."
Thiago arqueou a sobrancelha. "É mesmo?"
Fabiana confirmou. "É."
Thiago forçou um sorriso sem qualquer traço de simpatia e, sílaba por sílaba, disse friamente:
"Não é da sua conta."

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