Ela abriu a pasta apenas o suficiente para enxergar o nome dele.
Dante Bellini.
A assinatura ocupava o espaço indicado com a mesma firmeza que ele costumava usar em contratos milionários, documentos da empresa e cartões de aniversário escritos às pressas.
Estava feito.
O último papel de que precisava.
A mão de Helena tremeu apenas naquele momento.
Não quando o enganou.
Não quando entregou os documentos.
Não quando o viu assinar sem sequer desconfiar.
Mas agora.
Agora que estava sozinha.
Agora que a prova existia diante de seus olhos.
O divórcio havia começado.
Ainda não estava concluído.
Ainda havia etapas pela frente.
Mas o primeiro passo já não podia ser desfeito.
Ela fechou a pasta devagar, como se temesse que aquele simples movimento pudesse fazer tudo desaparecer.
Em seguida, caminhou até o closet.
O ambiente permanecia impecável, organizado exatamente como ela sempre mantivera.
Abriu a mala pequena escondida no canto inferior do armário.
Por trás do forro interno havia um compartimento falso que Dante desconhecia.
Helena retirou o fundo cuidadosamente e guardou os documentos ali.
Depois permaneceu imóvel por alguns segundos.
Respirando.
Tentando controlar a mistura de alívio e medo que se espalhava dentro dela.
Seu olhar caiu sobre a própria mão.
Sobre a aliança.
Sem pensar muito, deslizou o anel para fora do dedo.
O ouro deixou para trás uma marca clara na pele.
Uma linha delicada que denunciava quantos anos aquela aliança permanecera ali.
Helena passou o polegar sobre a marca.
Lembrou-se do dia em que Dante colocou aquele anel em sua mão.
Das promessas.
Dos votos.
Dos olhares emocionados.
Da certeza absoluta de que estavam construindo uma vida juntos.
Era estranho perceber que uma história podia morrer muito antes de terminar oficialmente.
Seus olhos arderam.
Mas nenhuma lágrima caiu.
Ela já havia chorado demais.
Chorado em silêncio.
Chorado sozinha.
Chorado enquanto ele dormia.
Agora não.
Agora precisava permanecer forte.
Recolocou a aliança no dedo.
Ainda precisava usá-la.
Ainda precisava interpretar o papel da esposa perfeita por mais alguns dias.
Ainda precisava convencê-lo de que tudo continuava igual.
Quando voltou para a cozinha, encontrou a casa mergulhada na rotina habitual.
Pegou uma xícara e começou a lavá-la apenas para ocupar as mãos.
Pouco depois, ouviu os passos de Dante se aproximando.
Ele surgiu atrás dela e envolveu sua cintura.
O abraço era quente.
Familiar.
Por muitos anos teria sido suficiente para fazê-la esquecer qualquer problema.
Agora apenas a deixava triste.
Helena permaneceu imóvel.
— Desculpa — ele murmurou contra seus cabelos. — Era importante.
Ela observou a água escorrendo pela porcelana branca.
— Imagino.
Dante suspirou.
Como se estivesse tentando encontrar as palavras certas.
Então beijou seu ombro.
Um gesto simples.
Íntimo.
Dolorosamente comum.
— Você está estranha de novo.
Helena fechou a torneira.
— Só cansada.
— Não é só isso.
Ela virou levemente o rosto.
— Você está imaginando coisas.
Dante a soltou apenas para fazê-la se virar.
Segurou suas mãos.
Estudou seu rosto.
Como se procurasse respostas que ela não pretendia entregar.
— Essa história da casa no interior...
Helena sentiu o coração dar um salto.
— O que tem ela?
— Você falou em recomeçar.
A voz dele suavizou.
— Falou sério?
Por um instante, Helena apenas o observou.
E, por um segundo doloroso, conseguiu enxergar o homem que ele poderia ter sido.
O homem que teria chorado ao descobrir a gravidez.

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