Ele abriu a palma da mão dela, olhou para os calos visíveis na base dos dedos, acariciou levemente e perguntou:
— Como conseguiu isso?
— Vendendo cerveja, carregando caixas de cerveja, foi assim que surgiram.
Ela falou sobre o passado sem rodeios, com um tom indiferente, como se estivesse falando de uma coisa extremamente comum.
Sérgio Baptista soltou a mão dela.
— Quem planta vento colhe tempestade. Se não fosse pelas dívidas acumuladas, a herdeira da família Rocha não teria caído a esse ponto.
Os lábios de Larissa Rocha se curvaram em um escárnio.
— Se o diretor Baptista tivesse me atrapalhado menos naquela época, eu não teria ficado sem conseguir nem um emprego decente, a ponto de ter que vender cerveja.
Ela continuou:
— Quem planta colhe. Quando o diretor Baptista quis defender sua confidente, provavelmente não imaginou que a retribuição cairia toda sobre a Sra. Baptista, não é?
Que problema havia em Larissa Rocha ter trabalhado vendendo cerveja?
A Sra. Baptista, vestindo roupas curtas e circulando entre homens para vender cerveja, isso sim era algo difícil de mencionar.
Sérgio Baptista franziu a testa.
— Vânia Barbosa não tem culpa nisso, e não foi ela quem me pediu para ir contra você. O que a diretora Rocha realmente deveria refletir é sobre essa sua língua afiada que não perdoa ninguém.
— Eu ofendi você?
— Sim.
Larissa Rocha ficou curiosa.
— O que eu fiz para você tentar me destruir quando eu estava na pior?
Sérgio Baptista apertou os lábios finos.
— Tudo bem se você não sabe.
Ele não pretendia falar sobre esse assunto novamente.
De fato, na impetuosidade da juventude, ele também fez muitas coisas absurdas.
Tentar destruí-la poderia ser considerada uma delas.
Já que era uma coisa absurda, deveria permanecer em segredo para sempre.
Ao saírem do cemitério, chegaram perto da empresa por volta das onze e meia, exatamente na hora do almoço.
Sérgio Baptista, naturalmente, não escolheu voltar para a empresa, mas a levou para almoçar.
O restaurante foi escolhido por Larissa Rocha.

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