A velha senhora sempre a admirou.
Diante de sua condição, ela concordou sem pensar duas vezes.
Chegou a usar a herança como ameaça para obrigar Sérgio Baptista a se casar com ela.
Isso foi algo que Larissa Rocha não previu.
Entre Vânia Barbosa e a herança, Sérgio Baptista escolheu a segunda opção.
Sem a menor hesitação.
Um canalha honesto.
Larissa Rocha caminhava pelas ruas movimentadas de Milão.
Seu coração estava vazio.
Ela não sabia se o que tinha feito era certo...
A rua estava cheia de vida, mas as pessoas em Milão eram frias.
Semelhante à sensação que a cidade transmitia: elegante, porém distante.
Ela pediu um café.
Sentou-se em uma cafeteria ao ar livre.
Observando a multidão variada que ia e vinha, seu coração agitado foi se acalmando aos poucos.
O crepúsculo chegou.
Diferente do que imaginava, Sérgio Baptista chegou mais rápido do que ela previra.
Um carro de luxo bloqueou seu caminho.
O motorista abriu a porta.
As pernas longas do homem, envoltas em calças de alfaiataria impecável, surgiram.
Ele parou diante dela, com uma postura ereta.
Tão bonito.
Tão frio.
O frio de Sérgio Baptista não era apenas externo.
Mesmo quando ele sorria para você, era fácil sentir a indiferença contida naquele sorriso.
Larissa Rocha segurava um sorvete.
A boca estava cheia de doçura.
Ao ver a expressão daquele homem, o desgosto se espalhou a partir de seu coração.
Ela baixou a cabeça e lambeu o sorvete que estava quase derretendo.
Só então ergueu os olhos e sorriu para ele:
— Que coincidência, diretor Baptista.
Sérgio Baptista curvou os lábios:
— Não é coincidência. Vim especialmente procurar a minha senhora.
Senhora?
Já mudou o tratamento?
E logo depois de tê-la abandonado no altar.
Larissa Rocha continuou comendo o sorvete, com reação fria:
— Ah.
Sérgio Baptista permaneceu no lugar, o sorriso em seus olhos se aprofundando:
— A senhora parece gostar muito de doces.

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