Ao entrarem no elevador, Larissa Rocha apertou o botão do décimo sétimo andar.
Sérgio Baptista observou o perfil claro e vibrante dela.
— Você veio aqui muitas vezes antes e nunca pediu para vê-lo.
— Por que quis vê-lo hoje?
Larissa Rocha baixou os cílios.
— Preciso de um motivo para querer ver uma pessoa?
— Não precisa?
— Para mim, não. Deu vontade... eu apenas quis ver.
Larissa Rocha disse isso e sorriu de forma extremamente sutil.
Embora fosse uma mulher forte até a alma, naquele momento, Sérgio Baptista sentiu uma fragilidade emanando dela.
Ele colocou a mão no ombro dela.
Não sendo o suficiente, ele a puxou para um abraço.
Mas, mesmo com ela encostada docilmente nele, ele ainda sentia uma irritação indescritível.
Um homem que Larissa Rocha não conseguia esquecer.
Ele se lembrou daquele rosto sereno e nobre na fotografia, e a irritação silenciosamente se transformou em ciúmes.
Ao chegarem ao quarto, vendo o rosto no leito, magro a ponto de perder a forma humana, Sérgio Baptista ficou paralisado por um segundo.
Usando uma máscara de oxigênio, esquelético e com os olhos fechados.
O homem na cama estava absurdamente magro; já não havia qualquer semelhança com a foto que ele vira.
Larissa Rocha sentou-se à beira da cama.
Sem dizer uma palavra, abriu um lenço umedecido antisséptico e limpou as próprias mãos lentamente.
Em seguida, segurou a mão de Jaime Lobato e a limpou devagar, repetidas vezes.
Ela não disse uma única palavra o tempo todo.
Apenas observou em silêncio, sem demonstrar qualquer tristeza no rosto, mantendo-se muda.
Apesar do silêncio, Sérgio Baptista sentiu uma emoção intensa.
Tão densa que o deixou com raiva.
Larissa Rocha ficou apenas dez minutos e foi embora.
Antes de sair, trocou a água do vaso de flores na mesa de cabeceira.
Ao olhar para aquele buquê de rosas cor-de-rosa, Sérgio Baptista finalmente fechou a cara.
Depois de saírem do hospital, ele não disse nada até chegarem em casa.

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