Afinal, o poder do Grupo Castro era grande demais.
Mesmo que Gustavo tivesse conhecidos no tribunal, não era certo que eles ousariam ajudar; e, ainda que ajudassem, poderiam acabar ofendendo Miguel.
Nesse caso, seria ela quem estaria prejudicando outras pessoas.
Esses pensamentos ficaram apenas em sua mente; Sofia não chegou a verbalizar nada.
Mas, ao ver a expressão dela, Gustavo pareceu entender.
Ele não fez promessas grandiosas, apenas disse que no dia seguinte iria se informar primeiro e que ela não precisava se sentir pressionada nem culpada.
No dia seguinte, Gustavo não apareceu para trabalhar.
Sofia perguntou ao coordenador pedagógico, que respondeu que ele havia pedido licença, dizendo que iria ao tribunal tratar de algo relacionado à felicidade de toda a sua vida.
Sofia não soube se ria ou se chorava ao ouvir aquilo.
No escritório, Sofia trabalhou até o horário do almoço.
Do lado de fora, a tempestade com trovões ficava cada vez mais intensa.
Ela não tinha medo de trovões, mas o local do escritório era bastante isolado, no fim do corredor do segundo andar.
Além disso, era horário de almoço, e todos os professores já haviam saído.
Afinal, a unidade socioeducativa era praticamente como uma prisão, muito opressiva; mesmo em um intervalo curto, os professores preferiam sair para fora e respirar um pouco.
Apenas dois instrutores ficavam de plantão.
Pela experiência de Sofia, eles provavelmente estavam cochilando, o que deixava o prédio inteiro assustadoramente vazio.
Por isso, os trovões repentinos ainda causavam certo impacto.
Como psicóloga, Sofia precisava permanecer de prontidão, então não saiu.
O almoço foi pedido por delivery.
Ao olhar a hora, calculou que o pedido já deveria ter chegado.
Ela estava prestes a entrar em contato com o entregador quando alguém bateu à porta do escritório.
— Entrega de comida.
Ao ouvir isso, Sofia abriu a porta, mas quem estava do lado de fora não era o entregador.
Ao mesmo tempo, Isabela havia tirado o dia de folga e seguia agora para o Grupo Castro.
A chuva forte deixava o trânsito extremamente congestionado.
Enquanto dirigia, Isabela abriu o WhatsApp, mas a conversa não era com Miguel.
— Olá!
O último aluno da fila trancou a porta do escritório por dentro.
O grupo claramente não tinha boas intenções.
Sofia foi encurralada até perto da janela e apertou com força a garrafa térmica que estava sobre a mesa.
— O que vocês querem?
Sofia encarou todos com raiva, mas, sendo uma mulher sozinha diante de vários adolescentes fortes, sua postura não representava grande intimidação.
— Só queremos saber se você tem namorado... Que tal me considerar?
Ícaro apontou para si mesmo.
Sofia forçou a calma e respondeu com firmeza:
— Eu já sou casada. Sou mulher de outro homem.
— Mulher casada é ainda melhor! A gente não tem experiência... que tal você ensinar a gente?
Antes que Ícaro terminasse a frase e avançasse sobre ela, Sofia levantou a garrafa térmica e a acertou com força na têmpora dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra
Cadê o final do livro???...
Miguel e Sofia ♥ ♥...