Ícaro soltou um grito de dor, e seus comparsas avançaram imediatamente para tentar conter Sofia.
Quando era mais nova, Sofia havia aprendido defesa pessoal e ainda conseguia se virar um pouco; além disso, os homens de Ícaro também não conseguiram se aproveitar dela logo de início.
Mas mulheres têm desvantagem em força e porte físico e, além disso, o grupo de Ícaro era numeroso.
Em pouco tempo, Sofia já estava ferida no rosto e no corpo, com as roupas rasgadas, completamente desarrumada e humilhada.
— Maldita! Batam nela todos juntos!
Ícaro xingava enquanto puxava Sofia pelos cabelos, pressionando a cabeça dela contra a moldura da janela.
— Anda, tirem a roupa dela!
Com todo aquele barulho dentro do escritório, ninguém apareceu para ver o que estava acontecendo.
Sofia percebeu que não podia esperar por ajuda; só restava salvar a si mesma.
Ela deu um chute violento nas partes íntimas de Ícaro, abriu a janela e se atirou diretamente do segundo andar.
Lá fora, a tempestade caía com trovões, e o céu estava completamente escuro.
Sofia nem sabia como havia conseguido sair correndo da unidade socioeducativa.
Estava apavorada, correndo sem rumo, com a mente em branco.
Quando, mancando, chegou até a rua, percebeu que estava encharcada da cabeça aos pés, em uma situação miserável.
O medo e a humilhação a fizeram chorar, mas, misturadas à chuva, as lágrimas passavam despercebidas.
Nesse momento, um Maybach passou por ali, espirrando água em cima de Sofia.
Mesmo sob a chuva torrencial, ela reconheceu imediatamente a placa.
O vidro do carro baixou, e Sofia viu Miguel sentado no banco traseiro.
Por um instante, ela prendeu a respiração.
Miguel continuava impecável em seu terno, com o ar de elite de sempre.
Os olhos profundos como o mar, em um segundo, engoliram a imagem patética dela.
Foi a primeira vez que percebeu que Sofia, molhada pela chuva, tinha um tipo diferente de charme.
Sem outra escolha, Sofia se preparava para abrir a porta do carro quando alguém se inclinou de repente do banco traseiro.
— Sofia, por que você está tão molhada assim? Entra logo! — Disse Isabela, com um ar de grande preocupação.
Ver Isabela dentro do carro de Miguel não surpreendeu Sofia.
Mas, naquele estado deplorável, ela não queria ficar ao lado de Isabela para ser comparada.
Isabela ainda vestia o conjunto rosa; o colarinho da camisa parecia ter um botão a mais aberto.
Sofia não quis pensar em quem havia desabotoado.
A maquiagem de Isabela estava impecável, embora o batom estivesse borrado.
Sofia também não quis saber quem havia estragado o batom dela.
— Por que você ainda está aí parada? Se continuar assim, vai acabar pegando um resfriado. — Insistiu Isabela, fazendo novamente o convite. — Entra logo. O Miguel não vai se importar se você sujar o carro, e ainda tem espaço entre nós duas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra
Cadê o final do livro???...
Miguel e Sofia ♥ ♥...