Do lado de fora do restaurante, depois de caminhar um bom trecho sendo puxada pela mão de Gustavo, Sofia finalmente conseguiu se soltar.
— O que foi? — Sofia achou Gustavo um pouco estranho.
Gustavo colocou as mãos na cintura, com uma expressão de impotência.
— Você é alérgica a pólen, não é?
Sofia se surpreendeu:
— Como você sabe?
— Desde que apareceu aquele buquê de rosas, você não parou de espirrar. Qualquer um percebe.
Sofia riu sem graça.
Ela se sentiu tocada pela atenção e pela delicadeza de Gustavo, mas, ao mesmo tempo, tomada por uma sensação amarga ao lembrar o quanto fora cega no passado.
Gustavo dissera que qualquer um perceberia a alergia dela ao pólen.
Mas, desde a época em que começou a namorar Miguel até o casamento, mais de três anos, Miguel nunca soube disso.
Pelo contrário, a cada encontro, ele sempre lhe dava rosas cor de rosa.
Porque Isabela gostava.
Ele se acostumara a dar flores para ela.
Em pleno calor, Sofia sentiu um arrepio percorrer o corpo.
Miguel não ignorava.
Ele simplesmente não amava.
E quem fora realmente tola sempre fora ela.
Ao ver o rosto de Sofia ficar extremamente pálido, como se estivesse prestes a chorar, Gustavo ficou sem saber o que fazer.
— Sua alergia é tão forte assim? Ainda está passando mal?
Sofia voltou a si e balançou a cabeça:
— Não, já passou...
Mesmo que houvesse algo doendo, não era o nariz.
Gustavo e Sofia caminharam à sombra das árvores.
— Então o que passa na cabeça dele? Não se divorcia de você, mas vive grudado na Isabela? Esse cara é um doente, um lixo. — Disse Gustavo, indignado em nome de Sofia.
Sofia também não entendia o que se passava na mente de Miguel.
Ela sempre acreditara que o conhecia muito bem, mas, depois da planilha, depois da volta de Isabela, depois da gravidez e do aborto, percebeu que nunca o havia conhecido de verdade.
— Não sei... Só sei que agora eu só quero me divorciar. Desde que eu consiga me separar.
Vendo o quanto Sofia estava aflita, Gustavo pegou o celular e entrou em contato com alguém com quem não falava havia anos.
— Espera um pouco, vou te ajudar a perguntar.
Sofia inclinou a cabeça, confusa, observando Gustavo mexer no celular.
Depois de um tempo, ele abriu um sorriso largo.
— Deu certo. Amanhã espera minha mensagem. Tenho um conhecido no tribunal. Já marquei de conversar com ele amanhã. Pelo seu caso, não deve ser difícil resolver.
— Muito obrigada, mas...
Sofia ficou sinceramente grata pela boa vontade de Gustavo, embora ainda tivesse suas próprias preocupações.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando Ele Arrependeu, Eu Já Era Outra
Cadê o final do livro???...
Miguel e Sofia ♥ ♥...