“Ótima notícia, Natalie. Você finalmente criou juízo!”
Renee quase deixou o celular cair; seus dedos tremiam.
A jovem designer brilhante havia passado anos se apagando dentro da Luke Corp só para ficar ao lado de Jensen. Depois do acidente dele, cinco anos atrás, ela chegou a doar uma costela, e algo ainda mais devastador, para trazê-lo de volta da beira da morte. Desde então, jogou-se naquele relacionamento como uma mariposa voando para o fogo.
Mas agora… A voz que vinha do telefone não parecia com a Natalie que ela conhecia.
Era baixa. Rouca. Completamente vazia.
“Natalie… Jensen fez alguma coisa com você?”
Renee captou o verdadeiro problema na hora.
O silêncio se alongou. Então, um soluço quebrado escapou.
Renee fechou os olhos. Devia imaginar... Só o próprio Jensen podia ferir Natalie o suficiente para fazê-la ir embora.
Ela queria xingá-lo. Queria abraçar Natalie. Mas, quando abriu a boca, as palavras empacaram.
“Só… Cuide do seu visto e venha pra cá. Uma mulher precisa da própria carreira. E esse programa da Grant International Holdings? Nat, é gigante. Com o seu talento, vai brilhar lá.”
A voz dela fez Natalie assentir levemente. “Vou resolver o visto assim que puder.”
“Vou estar te esperando!”
Depois da ligação, Natalie finalmente percebeu a tempestade lá fora. A chuva batia contra as janelas. O vento selvagem fazia o sino de vento da sala tremer.
Aquele sino de vento, feito das dobraduras que ela criava todos os dias enquanto rezava pela vida de Jensen, já havia simbolizado sua esperança. Depois que ele se recuperou, transformou tudo em enfeite e pendurou orgulhoso na sala.
Agora, olhar para aquilo a deixava nauseada.
Ela ergueu a mão para tirá-lo, mas o cotovelo esbarrou em um porta-retratos no balcão.
Ele caiu e se quebrou. Estilhaços de vidro se espalharam.
Havia duas fotos dentro dele.
Natalie travou.
Ela as pegou.
A primeira era dela e Jensen, tirada cinco anos atrás, na noite em que se tornaram um casal.
Mas a segunda…
Sharon e Jensen.
Sharon radiante, sorrindo como se fosse luz do sol. Jensen atrás dela, um braço na cintura, os olhos suaves... Tão ternos que fizeram a garganta de Natalie se apertar.
Abaixo da foto, ele havia escrito em letra cursiva dramática:
Adeus, meu amor.
A data marcava a noite seguinte à recuperação dele.
Exatamente sete horas antes de ele aparecer diante de Natalie com rosas, pedindo que fosse sua namorada.
Os dedos dela tremeram ao segurar a foto.
Num instante, cada lembrança doce virou cinzas.
O que ela achava que era amor… Era só ele tentando remendar os destroços de um romance que nunca superou.
Com uma respiração trêmula, Natalie arrancou o sino de vento. Origamis de papel caíram pelo chão, flutuando como pedaços de seu coração.
O celular vibrou, duas vezes.
Era Renee, reenviando o convite oficial de treinamento da Grant International Holdings.
Natalie se recompôs, pegou seus documentos e saiu na chuva rumo ao escritório de imigração.
Depois de analisar tudo, o funcionário disse: “Sra. Summers, seu visto vai levar cerca de dez dias. Por favor, aguarde a notificação.”
“Certo. Obrigada.”
Ao sair, o celular tocou, Jensen.
“Natalie, surgiu algo urgente no trabalho. Não vou voltar pra casa hoje.”
Antes que ela respondesse, ele desligou.
Então chegou outra mensagem no WhatsApp.
Era Sharon.


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