A luz amarela fraca se misturava ao cheiro de incenso queimando, deixando o ar pesado de tensão.
Vestindo apenas uma camisola fina, Natalie Summers se viu prensada contra a porta, a mão de Jensen Luke apertando sua garganta.
“Natalie”, ele murmurou, a voz baixa e fria: “Você é minha esta noite.”
Ele se inclinou para ela.
Com 1,88m de altura, Jensen a dominava, fazendo-a parecer ainda menor, ainda mais frágil sob seu corpo.
Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, a boca dele esmagou a dela, roubando-lhe o fôlego.
Natalie levantou o rosto e encontrou o calor no olhar dele. O pomo de Adão dele descia a poucos centímetros de seus lábios, e cada exalação que roçava sua pele fazia seu corpo corar e tremer.
Era o quinto aniversário de namoro deles. Transbordando de amor, ela o beijou de volta com força.
O tecido rasgou. Suas respirações se misturaram. A tensão ficou cada vez mais apertada.
Justo quando iam finalmente se tornar um só, o celular de Jensen tocou.
A frustração veio na hora, mas ele ainda assim atendeu.
Ofegante, Natalie olhou discretamente para a tela: Felix, o melhor amigo de Jensen.
“Você ficou maluco? Você...”
“Fala em Fraciano. Não é hora pra isso agora...”
Jensen trocou de idioma instantaneamente.
Houve um breve silêncio, então a voz de Felix veio em fala estrangeira fluente:
“Você se casou com a Sharon? O que estava pensando? Cinco anos atrás, você quase morreu fazendo racha por causa dela. Ela te abandonou, lembra? Fugiu para o exterior com outro homem! Teve namorado atrás de namorado desde então... Ela nunca se importou com você! E agora foi e se casaram?”
Natalie congelou.
Mesmo em outra língua, cada palavra fazia sentido. Seu cérebro traduziu tudo automaticamente.
Seus olhos se arregalaram.
O calor ainda grudava em sua pele, mas seu coração afundou em gelo.
Jensen não percebeu. Sua voz continuou irritantemente calma.
“Sharon tem câncer. Não lhe resta muito tempo. O último desejo dela era se casar comigo, encerrar nossa história de primeiro amor da maneira certa. Ela disse que a pessoa a quem mais deve na vida sou eu. Não posso deixá-la morrer arrependida.”
“E a Natalie?”, Felix rebateu. “Depois do acidente, ela nunca saiu do seu lado. Cuidou de você todos os dias, deu tudo que tinha. E agora quando ela descobrir? Como espera que ela viva dessa maneira?”
Nem a fúria de seu amigo o abalou.
“Ela não vai descobrir”, Jensen disse, friamente. “Enquanto todos ficarem calados, ela nunca saberá. Quando Sharon morrer, vou me casar com a Natalie.”
A próxima pergunta de Felix o cortou.
“E você acredita que a Sharon tem câncer?”
Isso fez Jensen perder a paciência.
“Chega. Sei o que estou fazendo.”
Ele desligou.
Jensen voltou para ela, pronto para continuar de onde pararam, mas Natalie o empurrou.
“E-Eu… Não estou me sentindo bem.”
Ela abraçou a própria cintura, o corpo tremendo, o rosto pálido.
Jensen, claro, não fazia ideia de que, nos últimos seis meses, ela vinha aprendendo secretamente três idiomas estrangeiros, um deles o Fraciano.
Porém, nunca teve motivos para usá-lo.
Até ele destruir seu coração nessa noite.
Era o quinto aniversário deles.
Ao vê-la daquele jeito, a expressão de Jensen suavizou em preocupação genuína.
“O que houve? Quer que eu te leve ao hospital?”
A preocupação na voz dele não parecia falsa, e isso fez seu coração doer ainda mais.
Como ele podia se importar tanto… E ao mesmo tempo estar secretamente casado com outra?
Ela estava prestes a recusar quando o celular dele apitou com uma notificação do WhatsApp.
Ele olhou para baixo e disse: “Aconteceu algo na empresa. Preciso resolver agora. Tente descansar. Se ainda se sentir mal, me ligue, vou mandar alguém te levar ao hospital.”
Natalie mal teve tempo de acenar com a cabeça antes que ele pegasse as coisas e saísse.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando ela renasceu das cinzas