Itália.
Quando Ana Rocha saiu da sala dos professores, deu de cara com Cláudia Galvão.
Cláudia Galvão lançou-lhe um olhar frio, soltou um leve muxoxo e, com aquele mesmo ar altivo de sempre, entrou na sala segurando um maço de documentos.
Ana Rocha observou Cláudia Galvão sumir pela porta e esboçou um leve sorriso no canto dos lábios.
Naquele dia, sabendo muito bem que Cláudia Galvão estava do lado de fora escutando às escondidas, Ana fez questão de comentar com o professor que precisava voltar ao Brasil para participar de um concurso de design. Era certo que Cláudia Galvão contaria a novidade para Diana Batista.
Ana Rocha entendia que o vovô Gabriel provavelmente não resistiria por muito mais tempo. Ela precisava voltar. O peso da família Batista logo cairia sobre seus ombros, e era fundamental que conquistasse reconhecimento no setor com esse concurso de design, para assumir com firmeza o Grupo Batista. E, ao mesmo tempo... esmagar Diana Batista e Djalma Batista, mostrando-lhes quem mandava.
Cláudia Galvão era a peça perfeita desse xadrez.
Diana Batista era, no fundo, uma mulher insegura. Sabia muito bem do talento extraordinário de Ana Rocha em arquitetura e design, e temia que suas próprias criações não estivessem à altura. Era certo que Diana tentaria alguma artimanha.
Escondida na esquina do corredor, Ana viu Cláudia Galvão dar um jeito de tirar o professor da sala para, em seguida, mexer no computador dele.
Ficou claro: ela tentava ajudar Diana Batista a roubar o projeto de Ana Rocha.
Mas aquilo era só uma isca que Ana deixara propositalmente.
O projeto verdadeiro, Ana já havia pedido ao professor para enviar e arquivar no site oficial do concurso internacional de arquitetura.
Antes do resultado oficial do concurso, Diana Batista não encontraria vestígio algum daquele design na internet. Sabendo disso, Diana certamente se arriscaria a plagiar o trabalho de Ana.
…
Cidade R.
O patriarca da família Batista estava tão fraco que quase não se reconhecia. O médico havia prescrito a última dose de um medicamento potente, apenas para que o senhor pudesse segurar até a chegada de Ana Rocha.
— Ana... já voltou? — a voz do velho era fraca e rouca.
A tragédia que se abateu sobre a família Batista foi, em grande parte, responsabilidade dele como patriarca.
— Bip... bip... bip... — De repente, os aparelhos médicos dispararam. O velho começou a respirar com mais dificuldade e Ramon entrou em pânico. — Vovô! Vovô... Por favor, resista, o senhor já aguentou tanto tempo, precisa esperar pela Ana!
Ramon correu desesperado para chamar os médicos. O velho vinha suportando a dor todo esse tempo só para chegar a esse momento.
Esperava ver Diana Batista e Djalma Batista expulsos da Cidade R, desacreditados e isolados. Esperava que Ana Rocha voltasse vitoriosa, formada e pronta para assumir seu lugar. Esperava que tudo estivesse preparado para ela, para então, finalmente, reencontrar sua neta.
Mas agora, com Ana chegando só amanhã à noite... será que o velho não aguentaria até lá?
— Doutor! Doutor!
Médicos e enfermeiros invadiram o quarto às pressas e começaram os procedimentos de emergência, levando o patriarca rapidamente para a sala de reanimação.
— Vovô, o senhor precisa resistir até a Ana chegar... Tem coisas que só o senhor pode dizer a ela — sussurrou Ramon, segurando a mão do velho até que ele fosse levado para a emergência.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir
Será que esse Livro irá continuar?...