— Vicente Damasceno e eu vamos voltar para casa no próximo mês, Ana, por que você não volta com a gente? — disse Giselle Cruz, sentada à beira da cama com a filha no colo, olhando para Ana Rocha.
Ela também havia recebido o aviso de Ramon Domingos: o patriarca da família Batista estava à beira da morte.
Agora, em Cidade R, os ventos mudavam rapidamente. Diferentes grupos de poder se agitavam nos bastidores, todos esperando que, com a morte do velho, a família Batista se desestabilizasse como aconteceu com os Palmeira, e o Grupo Batista sofresse uma transformação completa e irreversível.
Ana Rocha assentiu com a cabeça.
Já era hora de voltar.
— Meu orientador me apresentou a vários profissionais renomados. Ganhei alguns prêmios recentemente. Quando eu voltar para Cidade R, quero abrir meu próprio estúdio — disse Ana Rocha, brincando com o bebê nos braços de Giselle Cruz e sorrindo para ela.
Seu objetivo ao estudar fora era, afinal, aprimorar-se, fortalecer suas asas.
Só superando Diana Batista e Djalma Batista no campo da arquitetura e do desenvolvimento imobiliário, destruindo de vez o último orgulho que restava a eles no setor, é que teria realmente o controle da situação.
— Daqui a quinze dias haverá um grande concurso de arquitetura em Cidade M, o principal de toda a região Ásia-Pacífico. Todos os projetos serão expostos publicamente e avaliados de forma transparente. Se você conquistar o primeiro lugar, será uma estreia brilhante para seu estúdio — disse Giselle Cruz, apertando a mão de Ana Rocha. — Quando voltarmos, vou te apresentar a alguns dos arquitetos mais conhecidos do país. São seus antecessores; conhecer melhor os gostos dos jurados pode ajudar bastante no seu projeto.
Ana Rocha concordou com um aceno.
A preparação para esse concurso havia começado para ela ainda antes de chegar à Itália.
Ela não podia perder.
Porque sua principal concorrente era, justamente, Diana Batista.
Tudo o que Diana Batista desejava em termos de prestígio, Ana precisava conquistar primeiro.
Caso contrário, Diana teria mais uma chance de reivindicar a herança dos Batista.
— Ana... — Giselle Cruz segurou a mão de Ana Rocha, hesitante.
— Eles estavam falando italiano... Eu não prestei muita atenção nas aulas de idioma, então não entendi tudo. Mas... ela já mostrou o projeto para o orientador dar sugestões, disse que vai usar aquele trabalho na competição — respondeu Cláudia, um pouco constrangida.
Diana Batista franziu o cenho, irritada.
— Faça o seguinte: encontre um jeito de conseguir o projeto da Ana Rocha e me mande.
Cláudia hesitou.
— Diana, nosso orientador é muito rigoroso com propriedade intelectual. Ele com certeza protege bem os projetos da Ana. Eu...
— Cláudia, lembro bem que você sempre quis se destacar na arquitetura, queria que a família Galvão deixasse de ser ofuscada pela sua prima e ganhasse respeito, não é? Se me ajudar agora, minha posição no setor vai se tornar ainda mais sólida. Quando você voltar ao país, tudo o que quiser estará ao seu alcance — disse Diana, com um sorriso persuasivo.
Cláudia ficou em silêncio por um longo momento, pensativa, até responder:
— Diana, vou dar um jeito de conseguir o projeto da Ana Rocha.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir
Será que esse Livro irá continuar?...