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Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir romance Capítulo 471

Mas, na manhã seguinte, quando Thiago Palmeira abriu a porta da geladeira, percebeu que a sobremesa continuava intacta.

Decepcionado, tomou seu café da manhã em silêncio e saiu de casa, passando a manhã inteira quase sem trocar palavras com Samuel Palmeira e Ana Rocha.

— Esse menino... — até Samuel Palmeira percebeu que algo não estava bem com Thiago.

— Ele e Camila... aconteceu alguma coisa — Ana explicou em voz baixa para Samuel.

Samuel Palmeira ficou surpreso por um instante, depois assentiu com a cabeça.

— Essas coisas, é melhor deixar que os dois resolvam sozinhos.

...

Os dois ficaram nesse impasse por quase duas semanas, mas foi Thiago quem perdeu a paciência primeiro.

Ele saiu mais cedo da escola e ficou esperando Camila Alves na porta de casa.

— Camila... você está me evitando — Thiago perguntou, com um tom de mágoa.

Camila olhou constrangida para Ana Rocha, que estava saindo junto com ela, e pigarreou.

— Eu e a Ana estamos indo para o hospital, ela já vai ter o bebê. Se tiver alguma coisa para falar, espera o neném nascer, tá bom?

— Camila, conversa logo com o Thiago. Deixa que a tia e o tio vão comigo para o hospital — Ana Rocha disse, dando um tapinha na mão de Camila antes de entrar no carro.

Sem saída, Camila teve que encarar Thiago.

— Olha... Thiago, aquilo que aconteceu aquela noite... não dá pra fingir que não aconteceu? Você não saiu prejudicado, não é...?

— Camila, você me odeia tanto assim? — Thiago olhou para ela.

— Não é ódio, é só que... eu não sinto esse tipo de coisa por você, entende? Para mim, você sempre foi como um irmão. Isso me deixa desconfortável, parece que estou machucando alguém da família — Camila explicou, sem saber se Thiago entenderia.

Thiago olhou para Camila, abatido, ficou em silêncio durante um longo tempo e, por fim, assentiu.

E não uma mulher como ela, que só pensava em dar um salto social.

...

No hospital.

Ana Rocha havia marcado uma cesariana e, sem grandes sofrimentos, o bebê nasceu bem.

Como eram gêmeos de sexos diferentes, ambos eram do tamanho da palma da mão de um adulto, enrugadinhos, parecendo frágeis.

— Samuel Palmeira deve estar morrendo de ansiedade por não poder vir ao hospital. Você nem mandou um vídeo para ele — Giselle Cruz disse, olhando para os bebês com um sorriso radiante de felicidade por ser tia.

Vicente Damasceno resmungou e, de propósito, guardou o celular.

— Deixa ele ficar ansioso mais um pouco.

Na verdade, lá no fundo, ele sentia uma pontinha de inveja: aquele rapaz agora tinha um casal de filhos de uma vez só.

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