...
Cidade R.
Antes de seguir para a Itália, Ana Rocha fez uma parada em Cidade R.
Camila Alves havia voltado para casa para acompanhar os pais, então Ana Rocha, sob a escolta do segurança, dirigiu-se ao túmulo do patriarca da família Palmeira e de Samuel Palmeira.
As lápides de Samuel Palmeira e do velho chefe da família estavam impecavelmente limpas, adornadas com flores frescas, trocadas antes mesmo que as anteriores pudessem murchar.
Era evidente o zelo do responsável pelo local.
Esse responsável era João Viana, o fiel mordomo da família Palmeira.
João Viana aparentava estar muito mais envelhecido. Quando se preparava para sair, cruzou com Ana Rocha.
— Ana, veio visitar o Samuel? — perguntou ele, com a voz rouca, o semblante tomado pela tristeza.
— Senhor João, meus sentimentos — murmurou Ana Rocha, em tom baixo.
João Viana assentiu, mantendo-se perfeitamente no papel. — Fique aqui um pouco com o Samuel, eu vou voltar para casa, preparar uma comida para você. Ana, volte para jantar daqui a pouco...
Ana Rocha apenas acenou, observando João Viana se afastar. Seu olhar, antes tomado pela tristeza, tornou-se frio e distante.
Luana Viana já havia começado a agir contra Thiago Palmeira. Será que João Viana realmente não fazia ideia de nada? Ou, quem sabe, Luana, nesses anos no exterior, exercia controle psicológico sobre jovens ricos, chantageando-os com segredos e provas comprometedoras, forçando-os a servi-la e lucrando às suas custas — transformando-os em meros cães presos à sua coleira...
Uma mulher tão astuta e cruel — seria possível que João Viana jamais tivesse percebido?
Samuel Palmeira estava apenas fingindo sua morte, chegando ao ponto de se deitar no necrotério, congelando o corpo para parecer um cadáver autêntico... Mas por quê? Para despistar, para enganar, porque não confiava em João Viana.
— Senhorita, vamos voltar para a casa da família Palmeira depois? — sussurrou o segurança.
— Vamos sim, por que não voltaríamos? — respondeu Ana Rocha, com voz firme.
Sim, ela voltaria. Precisava encarar João Viana de frente.
— Papai, mamãe... — murmurou Ana, com a voz embargada.
Ela jurava para si mesma que encontraria os responsáveis pela morte deles.
E que os faria pagar por isso.
Seu olhar pousou na lápide próxima: ali estava a esposa do vovô Gabriel, a avó de Ana Rocha.
A verdadeira dama da família Batista.
Vovô Gabriel havia se casado com ela e adotado o sobrenome Batista, os filhos herdaram o nome dela.
O tempo nunca vence a verdadeira beleza — pensou Ana Rocha, ao encarar a foto antiga e desbotada da avó.
Não era de se admirar que, ao vê-la pela primeira vez, o patriarca da família Batista, vovô Gabriel, tenha repetido tantas vezes o quanto Ana se parecia com ela.
Era verdade, Ana Rocha era a imagem viva da avó.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir
Será que esse Livro irá continuar?...