Assim que a verdadeira identidade de Ana Rocha fosse revelada, para ela seria como abrir as portas para um outro mundo completamente diferente.
— Eu sei o que te preocupa. Acha que a protegi demais, que a mimosei? Você está exagerando. Ela não é essa... moça frágil que só sabe se apoiar nos homens — disse Samuel Palmeira, com um olhar sereno para Ramon Domingos. — O que dou a ela não é proteção, e sim asas. Às vezes... tudo que alguém precisa para alçar voo são asas.
Ramon Domingos encarou Samuel por um instante, sem ter como rebater aquelas palavras. Afinal, Samuel Palmeira conhecia Ana Rocha melhor do que ele.
Ana Rocha sempre mostrara ao mundo o lado de esposa delicada, quase uma flor dependente. Ninguém a considerava um desafio, nem mesmo aqueles que tramavam nas sombras, provavelmente nunca lhe deram a devida atenção.
No entanto, era justamente esse tipo de mulher, ignorada por todos, que podia ser capaz de dar o golpe mais fatal.
Ramon hesitou por uns segundos, depois soltou um suspiro fundo.
— Se você acredita que Ana Rocha não é uma flor dependente, eu vou apostar nisso — declarou, convicto.
Só podia torcer para que Ana não a decepcionasse.
…
Residência de Ana Rocha.
Ana voltou para casa e ficou muito tempo sentada no sofá, mergulhada em silêncio.
Thiago Palmeira e Camila Alves já haviam preparado a refeição, mas Ana permanecia alheia, distante.
— Ana? — chamou Camila, sentando ao lado dela, apreensiva.
— Camila, você gosta de mim, quer ser minha amiga, porque sente que combinamos, certo? — perguntou Ana, com um tom mais profundo.
Camila assentiu.
— No começo, me aproximei de você com um pequeno objetivo, confesso. Mas, aos poucos, percebi que você é mesmo uma pessoa incrivelmente pura, como se fosse uma folha em branco.
Ana balançou a cabeça.
Ana balançou a cabeça.
— No início, também pensei isso. Achei que ela só agia assim por ser “tia” do Samuel… Mas depois percebi que Vicente e Samuel têm uma relação péssima, tão ruim que mal parecem da mesma família.
Com a distância evidente entre Vicente Damasceno e Samuel Palmeira, não faria sentido Giselle cuidar de Ana por causa de Vicente.
— O jeito que ela me olha… tem lágrimas, tristeza, sentimentos que não consigo descrever… É como se fosse o olhar de uma mãe para a filha. Não, não é bem isso… É como se, através de mim, ela visse outra pessoa — murmurou Ana, balançando a cabeça, confusa.
Respirou fundo, fitando Camila.
— Me ajude a investigar a Giselle Cruz. Não sei… Tem algo estranho aí. E lembra daquele dia em que o patriarca da família Batista fez questão de me ver? Pensei que fosse algo sério, que ele iria me pedir para me afastar do Samuel ou algo assim. Mas tudo o que fez foi me oferecer um almoço e ficou me observando enquanto eu comia…
Ana soltou uma risada de si mesma, com certo desdém.
No fundo, ela já desconfiava de sua própria identidade; só não tinha certeza, ainda.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir
Será que esse Livro irá continuar?...