Depois que Ana Rocha saiu, Artur Pires rapidamente tirou o celular do bolso e ligou para Ramon Domingos, pedindo para contatar Samuel Palmeira.
Afinal, essa decisão não cabia a ele; precisava da aprovação de Samuel Palmeira.
……
Na residência de Ramon Domingos.
Samuel Palmeira estava deitado na cama, tomando canja para se recuperar dos ferimentos, quando Ramon Domingos entrou no quarto.
— Você está bem tranquilo, né? A Ana está grávida, e você, depois de um acidente desses, não tem medo de que ela fique desesperada? — Ramon Domingos não suportava ver Samuel Palmeira tão à vontade; preferia vê-lo trabalhando mesmo machucado, exausto, só assim sentia que estava tudo equilibrado.
— Minha esposa é sensível porque eu a protegi bem, não porque ela seja ingênua. — respondeu Samuel Palmeira calmamente, continuando a tomar sua canja. Ainda aproveitou para comentar: — Sua comida está muito aquém da da minha esposa, você exagerou no sal. Da próxima vez, pode evitar.
Ramon Domingos até fez uma careta, mas antes que pudesse responder, o celular tocou. Era Artur Pires.
Sentindo-se um pouco orgulhoso, achou que finalmente era trabalho chegando para Samuel Palmeira. Atendeu no modo viva-voz:
— Artur Pires, será que o senhor está precisando que nosso Presidente Samuel resolva alguma questão importante?
— Presidente Samuel, sua esposa… hoje ela veio à EterNeuro. Disse que está disposta a converter todos os seus bens e propriedades em investimento para a EterNeuro… Essa decisão não posso tomar sozinho. — Artur Pires deu uma leve tosse.
Samuel Palmeira ficou surpreso; não imaginava que Ana Rocha tomaria essa atitude.
Ele já havia explicado para Ana Rocha antes que a herança do patriarca da família Palmeira não podia ser passada para ela, por questões de segurança. Entretanto, todos os seus próprios bens pertenciam a Ana Rocha; ela tinha liberdade total para decidir sobre eles.
O que ele não esperava era que Ana Rocha investisse tudo na EterNeuro.
— Você ainda tem tempo para me provocar? O vovô Gabriel está cada dia pior; ficar em Cidade R não é seguro. Dê um jeito de trazê-lo para Cidade M, com o pretexto de tratamento médico.
Em Cidade M estavam os melhores especialistas em doenças cardiovasculares. Se o patriarca continuasse em Cidade R, por mais seguros que estivessem, ainda haveria brechas para Djalma Batista e seus aliados. Só em Cidade M haveria relativa segurança.
— Já estou providenciando isso. Mas tem algo que preciso te avisar antes, para você se preparar. — Ramon Domingos encostou-se à porta, o rosto sério. — O vovô sabe que não tem muito tempo. Antes de partir, ele vai garantir que Ana Rocha tenha todos os caminhos abertos. Ele passou a vida inteira escondendo a dor de perder filho e nora cedo, e o remorso por ver a neta afastada. Ele faria de tudo para dar o mundo à Ana Rocha… Se ela conseguir segurar essa responsabilidade, ótimo. Mas se não conseguir, pode ser sua ruína.
O que Ramon Domingos queria dizer era: se Ana Rocha for apenas uma esposa frágil, o que o vovô Gabriel deixar para ela poderá ser mais um fardo do que um presente.
E não só ela não conseguiria segurar, como isso também poderia trazer enormes perigos e problemas. Mesmo que Ramon Domingos quisesse protegê-la ao máximo, poderia não ser suficiente.
Além disso, com a saúde do patriarca em declínio, sua morte poderia acontecer a qualquer momento, e ele já estava ficando ansioso. Começava a planejar o futuro de Ana Rocha, o que significava que a identidade dela poderia ser revelada a qualquer momento.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir
Será que esse Livro irá continuar?...