Era como nos tempos antigos, quando havia alguém como Zhuge Liang: Ramon Domingos buscava um líder sábio capaz de enfrentar tempestades e desafios.
Já Samuel Palmeira queria uma esposa delicada, protegida de todas as adversidades.
As motivações dos dois eram distintas, e, naturalmente, os resultados desejados também.
Na visão de Ramon Domingos, Ana Rocha precisava passar por provações para amadurecer; enquanto Samuel Palmeira acreditava que ele próprio podia suportar qualquer dificuldade, mas sua esposa não deveria passar por nada disso.
— Pense bem no que eu disse, e, quando entender, vamos conversar sobre um assunto — declarou Ramon Domingos, observando Samuel Palmeira mergulhado em pensamentos. Em seguida, pegou um fio dental e o atirou para ele.
Samuel Palmeira pegou o fio dental no ar e olhou para Ramon Domingos.
— Cuidado para não destruir a imagem de monge sereno que você cultivou.
Ramon Domingos sempre fora conhecido por sua postura fria e orgulhosa. Se alguém o visse usando aquilo para lançar em alguém, certamente sua reputação estaria arruinada.
Ramon Domingos suspirou.
— Agora não tenho ânimo para me preocupar com reputação. O problema é urgente, Presidente Samuel.
Ele recostou-se na cadeira, com o rosto carregado de preocupação.
O vovô Gabriel estava cada vez pior, e a família Batista estava prestes a mergulhar no caos.
Por ter recebido tantos favores do velho, Ramon Domingos sentia-se obrigado a proteger a família Batista por toda a vida. Mas Ana Rocha, a "herdeira", era muito frágil, e ainda havia Samuel Palmeira, que só atrapalhava.
O excesso de zelo de Samuel Palmeira pela esposa tornara a "herdeira" fraca e incapaz de assumir responsabilidades.
— Aquela herança em suas mãos, encontre logo uma solução, senão sempre haverá alguém de olho nela — disse Ramon Domingos, olhando as horas. — Hoje sou eu quem vem atrás de você, amanhã pode ser a família Serra, a família Santos ou a família Otero. Enquanto esse dinheiro não for investido, você não terá paz.
Samuel Palmeira assentiu.
— Estou ciente do que precisa ser feito.
Naturalmente, ele não pretendia dar o dinheiro a nenhum deles. Agora, havia uma multidão tentando armadilhas para Samuel Palmeira. Todos estavam ansiosos para vê-lo cair em desgraça.
...
Na mansão da família Serra.
Salvador Serra chegou em casa, entrou no escritório com expressão severa e atendeu o telefone.
— Entre, tenho algo para conversar com você.
Fechou bem a porta e olhou para Rafael Serra.
— Não vou mais cobrar aquela história de você ter participado do sequestro do seu irmão junto com Samuel Palmeira. Sei que você guarda mágoa de mim.
Rafael Serra semicerrrou os olhos. Onde há fumaça, há fogo.
— Diga logo o que deseja, pai.
Não achava necessário fingir uma relação harmoniosa entre pai e filho, pois isso lhe causava repulsa.
— Sempre quis elogiar você. Fez um bom trabalho. Aproximar-se de Samuel Palmeira não é, necessariamente, algo ruim. Nosso projeto de energia renovável do Grupo Serra precisa de investidores, e Samuel Palmeira está com uma herança considerável. Isso é uma ótima oportunidade.
Salvador Serra sorriu e deu um tapinha no ombro do filho.
Rafael Serra arqueou as sobrancelhas. Seu pai estava de olho no dinheiro de Samuel Palmeira.
Mas Salvador Serra não era tão benevolente assim; provavelmente queria criar um projeto de fachada para tirar proveito de Samuel Palmeira.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir
Será que esse Livro irá continuar?...