— Essa tal de Luana Viana definitivamente está tramando algo. Agora ela mudou o foco, vamos ver o que ela pretende — murmurou Ana Rocha, baixinho.
Camila Alves arqueou as sobrancelhas, surpresa.
— Olha só, Ana, está aprendendo a usar a cabeça.
Ana Rocha respondeu com um risinho.
— Como está silenciosa a sala de aula hoje.
Sem Helena Batista, o ambiente realmente estava tranquilo.
As duas trocaram olhares cúmplices, segurando o riso, e logo saíram cochichando da sala.
Na porta da escola.
O carro de Ramon Domingos ainda estava estacionado ali.
Ana Rocha e Camila Alves se assustaram, olhando para os lados para se certificar de que a impostora não estava por perto. Só assim tiveram certeza de que Helena Batista estava mesmo presa.
Ramon Domingos sorriu para as duas.
— Srta. Rocha, Srta. Alves, posso ter a honra de convidá-las para um jantar?
Camila Alves, cautelosa para não desagradar Ramon Domingos, preferiu silenciar.
Ana Rocha balançou a cabeça.
— Acho que hoje não é um bom momento...
Ela mesma não sabia ao certo o motivo, mas não queria se aproximar demais de Ramon Domingos. Talvez fosse pelas táticas implacáveis que ele usou contra Helena Batista... Samuel Palmeira já tinha avisado: ele não era confiável.
— Srta. Rocha, já nos conhecemos há algum tempo, somos quase amigos. Embora o episódio de Helena Batista fingindo ser a herdeira da família Batista tenha terminado, a crise de Samuel Palmeira ainda não foi realmente resolvida. Ele herdou uma fortuna, mas não pode usá-la livremente. Ninguém quer que ele tenha sucesso nos negócios. Se tentar abrir uma empresa, muitos predadores vão tentar derrubá-lo. Por isso, investir é o melhor caminho. Mas as pequenas empresas têm medo de seu capital, enquanto as grandes querem apenas enganá-lo. Só colaborando com a família Batista podem todos sair ganhando, não acha?
O sorriso de Ramon Domingos era caloroso, quase angelical, como se não tivesse más intenções.
Mas Ana Rocha sentia que ele era o oposto da inocência.
Ela entendeu rapidamente o que ele queria: aproximar Samuel Palmeira da família Batista, fazer com que ele investisse nos projetos deles, assim ninguém mais ficaria de olho na herança de Samuel.
Apesar de ser uma proposta com altos retornos, investimento sempre envolve riscos — isso era algo que precisava ser discutido antes com Samuel.
— Então vou ligar para o Samuel Palmeira — disse Ana Rocha, afastando-se para telefonar.
Era uma questão de respeito, será que ele não entendia?
Mas, considerando que Ramon era o diretor-executivo do Grupo Batista, ela preferiu manter as aparências.
— Pois é, também acho que às vezes Samuel é um pouco controlador demais, acaba sendo rígido com nossa querida Ana.
O sorriso de Ramon se aprofundou enquanto olhava para ela.
— Dias atrás, seu pai esteve no Grupo Batista. Eu mesmo o recebi. Ele tem uma alma muito interessante, assim como a Srta. Alves.
Camila Alves sentiu um calafrio nas costas.
Agora era sério — ele estava claramente direcionando suas atenções para ela.
Ramon Domingos era perigoso, mais do que qualquer outra pessoa que já conhecera.
— É mesmo? Meu pai é uma figura, né? — fingiu não entender, tentando desviar.
— Srta. Alves, você acha que existe alguma chance de Samuel Palmeira e Ana se separarem? — perguntou Ramon, com um ar de total inocência.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir
Será que esse Livro irá continuar?...