Nessa idade, uma jovem deveria estar cheia de vida, florescendo nos corredores da universidade, e não… como Meiga, treinada à força para se transformar numa máquina fria, capaz apenas de cumprir ordens.
O destino de Meiga se assemelhava um pouco ao de Ana Rocha, embora lá fora as coisas fossem ainda mais cruéis do que aqui.
A maior parte do sofrimento de Ana Rocha era emocional, enquanto o de Meiga era físico e brutal.
Uma garota, levada pelos pais adotivos para o sudeste asiático, vivendo esses anos como lutadora clandestina e mercenária… Não é difícil imaginar o quanto sua vida foi dura.
Ao pensar em Ana Rocha, Giselle Cruz sentiu ainda mais compaixão por Meiga.
— Quer comer uma fruta?
— Aceita um copo de leite?
— Posso te servir um pedaço de bolo?
— Não fique aí parada... Quer assistir a um filme?
Sentada no sofá, Meiga experimentava pela primeira vez um sentimento de desconforto. Antes de conhecer Vicente Damasceno, ninguém jamais havia sido gentil com ela. Vicente Damasceno era um homem e, embora já tivesse salvado sua vida, nunca havia se preocupado com esses detalhes… Mas Giselle Cruz, mesmo sabendo dos sentimentos de Meiga por Vicente Damasceno, continuava a tratá-la bem. Seria tudo uma encenação?
No entanto, Meiga não conseguia ver fingimento algum no comportamento de Giselle Cruz.
— Antes de eu vir para cá, o Sr. Damasceno me chamou para conversar. Ele me perguntou… se eu nutria por ele algum sentimento que não deveria. Imagino que foi você quem percebeu, não foi? — Meiga decidiu ser direta com Giselle Cruz.
Giselle Cruz assentiu, sem dar muita importância ao assunto.
— Sim, percebi logo de cara. Mas não fique nervosa, gostar do mesmo homem que eu só mostra que temos bom gosto. Só não venha competir comigo.
— Ele ama você, seria capaz de dar a vida por você. Esse tipo de amor não permite que alguém se intrometa. Eu não tenho essa pretensão. — Meiga demonstrou pleno entendimento da situação. — Vou me ajustar e jamais causarei qualquer problema a vocês dois.
Giselle Cruz encostou-se à parede, olhando para Meiga com um sorriso carregado de significado.
— Não se preocupe tanto com isso.
No passado, Giselle Cruz já tinha lidado com pretendentes de Vicente Damasceno, quase todas cheias de espinhos, prontas para devorá-la vivas. Mas Meiga, essa… era diferente.
— Você está maluca? Retiro o que disse… — Camila Alves revirou os olhos, desfazendo o comentário anterior sobre a sala estar tranquila.
Ainda havia muitas moscas zumbindo por ali.
— Claro. — Ana Rocha respondeu com um sorriso. — Mas meu marido está um pouco ocupado. Vou conversar com ele quando chegar em casa e, depois, combinamos uma data, pode ser?
Camila Alves olhou para Ana Rocha, chocada. O que estava acontecendo? Por que ela estava dando trela para Luana Viana?
Luana Viana, satisfeita, assentiu com um ar de superioridade.
— Então aguardamos seu retorno.
Em seguida, saiu levando Thiago Palmeira. Thiago lançou um olhar de impotência para Ana Rocha, sem entender por que ela havia aceitado tão facilmente.
— Você está com febre? — Assim que Luana Viana e Thiago se afastaram, Camila Alves tocou na testa de Ana Rocha.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quando a Lealdade Não Basta, É Hora de Partir
Será que esse Livro irá continuar?...