Guadalupe se adiantou e entrou naquele local com bolos de vários sabores, a atendente muito atenciosa se aproximou dela.
— Olá Senhorita, gostaria de algum bolo ou irá ao café?
— Mmm... — Guadalupe virou para ver o homem que levava ao seu lado.
— Vamos passar ao café. — Respondeu o homem ao seu lado.
— Adiante! Gostariam de sentar dentro? Ou na parte de trás, temos uma pequena varanda, lá também há mesas.
— Na varanda! — Respondeu Guadalupe.
— Está bem! Sigam-me por aqui! — Disse a moça enquanto fazia um sinal com a mão para indicar o caminho.
Enquanto caminhavam em direção à varanda, passavam dentro da pequena confeitaria por um corredor branco decorado com alguns quadros que representavam diversos bolos pintados a óleo, havia algumas pequenas mesinhas com vasos e rosas inglesas, o lugar tinha fascinado Guadalupe, que admirava o lugar como se o destino lhe tivesse presenteado com a oportunidade de encontrar esse pedacinho do céu. Massimo por seu lado, se sentia um pouco incomodado com tanta doçura, mas não emitia nenhum comentário, finalmente chegaram à varanda e puderam ver um pequeno braço de um rio que conectava ao mar, era um verdadeiro espetáculo, a varanda era um pequeno jardim cheio de flores, um lugar muito romântico, Guadalupe pensou que à noite este lugar devia parecer incrível.
Por um momento, se perdeu na ideia de que ela e Massimo poderiam visitá-lo em algum momento e ter um encontro romântico. Foi tirada de seus sonhos quando Massimo beliscou seu nariz.
— A moça deseja saber o que você quer. — Disse enquanto revisava o cardápio.
— Ah! Eu gostaria de um bolo de morango com uma xícara de café americano.
— Claro que sim! E o senhor? — Disse enquanto olhava para o homem que estava ao seu lado. A moça pensava que era um dos homens mais bonitos que tinha tido oportunidade de conhecer. "Esta moça sim que é sortuda" Pensou.
— Só quero um Expresso duplo. — Respondeu entregando o cardápio.
— Em um momento volto com seu pedido.
Sem mais o que fazer, a moça foi deixando-os sozinhos, era 1:00pm por isso o café estava relativamente tranquilo e a varanda vazia.
— É bonito o lugar, não é?
— Você gosta?
— Claro! Você não? É um bom lugar para um encontro romântico!
— Suponho que sim, se você gosta, não posso contradizer. — Disse um pouco resignado.
Ela estava tão emocionada que não percebeu o que ele estava insinuando com seus comentários.
— Minha amiga Regina adoraria, ela e eu desfrutávamos muito destas coisas.
— Que coisas?
— Comer bolos e muitas coisas engordativas! Mas também gostávamos de lugares assim, este se parece com um cafezinho que visitávamos quando eu podia escapar de meu pai.
— Você não saía muito?
— A verdade é que não, meu pai é muito rígido e quase não me deixava fazer amizade com qualquer um. Para ele, Regina era a pior influência que eu podia ter. Mas eu sempre a admirei.
— Por quê? — Perguntou com curiosidade.
— Bem, ela era livre, seus pais a tinham desejado tanto que quando chegou a criaram com muito amor, mas sempre a deixavam tomar suas próprias decisões, embora em muitas ocasiões ela devia se responsabilizar por suas ações.
— Suponho que assim deve ser.
— Sim, mas ela podia fazer tudo, eu por outro lado devia ficar em casa, meu pai nunca me deixava sair, parecia como se não quisesse que ninguém me visse.
— Você não tinha boa relação com seu pai?
— Ele me culpa pela morte de minha mãe, eu nasci e ela morreu. Mas o pior é minha grande semelhança com ela, segundo todos na família, minha mãe e eu somos como duas gotas d'água, mas eu acho que ela era muito bonita, eu não sou.
— Penso que você é bonita, à sua maneira. Não pode ser gota d'água de alguém, mas sim muito parecida.
— Olha. — Disse a moça enquanto tirava o relicário que tinha no pescoço e o abria para mostrar-lhe a foto de sua mãe.
— Mmm... Sim se parecem, mas acho que você também é bonita. — Disse pensando que ela era mais bonita, sem uma gota de maquiagem era muito atraente, mas esses comentários guardou para si.
Esse comentário fez com que Guadalupe sentisse borboletas no estômago e suas bochechas ficassem vermelhas como cerejas.
— Bem, obrigada! Isso é um elogio e vou aceitar. — Disse sorrindo.
— Agora que seu pai não está e você acabou de atingir a maioridade, o que pensa em fazer?
— Bem, por agora não posso fazer muito, mas quando tudo isso passar, quero pegar minhas coisas e... — Disse enquanto em sua mente cruzou uma ideia, ela talvez tivesse mudado de opinião, pensou que, se revelasse seus planos, ele talvez se afastaria.
— O que foi?
— Não, nada, por enquanto não sei o que vou fazer, a situação da minha família é complicada e não posso fazer muito sem colocá-los em perigo.
— Mas e se não estivesse nessa situação?
— Bem, talvez... não, são sonhos loucos. São coisas que sonhava quando criança, mas algo é certo, sairia da casa do meu pai e seria livre, procuraria um trabalho e ganharia meu próprio dinheiro.
Massimo se surpreendeu ao ouvir as declarações da moça, ela era muito doce, não parecia ter sofrido com sua família, quem a visse pensaria que era uma menina mimada pela família e que ninguém seria capaz de pôr um dedo nela, mas novamente deixava claro que sua situação não foi muito boa, exceto os comentários sobre seu avô, sua família não era a melhor companhia.
Este homem estava prestes a fazer uma pergunta, quando uma moça apareceu com seu pedido, duas xícaras de café e uma fatia de bolo de morango, incrivelmente pareceu tão apetitoso, que Massimo acabou sentindo a boca água ao vê-lo.
— Desculpe, teria uma velinha? É meu aniversário e quero fazer um pedido. — Disse Guadalupe enquanto olhava fixamente para a fatia de bolo.
— Oh, claro! Espere um momento, já volto com uma.
Massimo só se limitou a observar como os olhos desta moça brilhavam, parecia que realmente esperava que o desejo que ia pedir se realizasse. Por um momento ficou pensando na classe de vida que levava em seu lar, recordou que quando era jovem, seu pai falou seriamente com ele e lhe disse:
— Massimo, filho, você é jovem e não quero roubar essa parte da sua vida, mas quero que fique claro que você levará nos ombros a responsabilidade de ser o presidente da companhia. Tudo faremos quando eu me aposentar, acredite já estou cansado, só espero que tenha idade suficiente para ceder meu lugar, por essa razão, deve ser cuidadoso com o que fizer daqui para frente.
— Pai, a que se refere com isso?
— Filho, deve ser um homem honorável, é jovem e às vezes a juventude nos faz cometer erros dos quais devemos nos responsabilizar toda a vida. Pensando nisso, você deve ser formado baseando-nos em que será meu sucessor.
— E quanto a Pietro?
— Pietro é jovem, impetuoso e não estou seguro se deixo nosso negócio em suas mãos, ele poderá conduzi-lo, mas você, meu filho, sempre mostrou um bom caráter para os negócios, além de ser meu primogênito.
Massimo estava perdido nessa lembrança, quando a moça do café apareceu e trouxe uma vela como caramelo rosa com branco para Guadalupe.
— Muito bem, senhorita, gosta desta?
— Claro! Muito obrigada! — Disse Guadalupe com um amplo sorriso desenhado no rosto.
— Claro! Fazia muito tempo que não tirava um dia de folga e devo reconhecer que foi refrescante.
— Que bom! Isso me alegra, não te pareço chata?
— Não, claro que não! Mas o que me contou hoje da sua vida sim me pegou de surpresa.
— Por quê? — Respondeu ela com curiosidade.
— Porque por mais que queira te imaginar... Bem...
— Presa?
— Pode me contar sobre sua vida?
— Bem, não há muito para contar, desde bebê fui criada por meus avós, na realidade eles cuidaram de mim até que a avó faleceu quando eu tinha 8 anos. Depois meu pai considerou que era muita carga para meu avô, que então levava as rédeas do negócio da minha família, por isso acabou me mandando para um internato.
— Você é muito unida aos seus avós, pelo que vejo.
— Sim, eles praticamente são meus pais. Meu pai nunca me aceitou e mais que me considerar sua filha, sempre me viu como um fardo, no caso da minha tia, ela suponho que às vezes estava com ciúme de que minha avó cuidasse de mim.
— Por quê?
— Porque minha avó em ocasiões era excessivamente protetora comigo. Minha tia tinha muito receio de mim, eu a admirava, é uma mulher lindíssima, mas ela não me via com bons olhos.
— Então, se não teve boa relação com seu pai e com sua tia, com quem convivia?
— Passei meu tempo em internatos depois que a avó morreu, o avô insistia em se encarregar de mim, mas meu pai punha como pretexto a empresa. Então um dia, sem mais nem menos, meu avô lhe cedeu o cargo e aí foi quando já não fiquei em internatos.
— Voltou para seu avô?
— Não totalmente, vivia na casa do meu pai, mas podia ver meu avô com mais frequência. Meu pai controlava muito bem meu avô através de mim. Disso eu me dava conta, não queria ser um fardo para ele, por isso muitas vezes tentei fugir, mas nunca consegui.
— Já entendo!
— Ei, poderíamos mudar de assunto? Hoje é um bom dia e não gosto de lembrar coisas do passado, além disso, hoje me diverti muito graças a você!
— Claro! Acredite, não foi minha intenção trazer coisas do passado.
— Não se preocupe, é que já não quero lembrar disso.
— Não vai acontecer de novo.
— Olha, chegamos em casa! — Disse ela tentando não fazer Massimo se sentir culpado.
— Guadalupe, talvez possamos repetir o passeio outro dia, me faz bem sair e tomar um ar. — Massimo replicou tentando seguir a corrente.
— Claro! Para mim será um prazer, hoje me diverti.
— Mas só caminhamos e tomamos um café.
— O mais importante foi a companhia e olha, já pude conversar mais, melhorei.
— Você tem toda razão! — Disse isso enquanto bagunçava seu cabelo como se fosse uma criança.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Prometo te amar. Só até ter que dizer adeus