Entrar Via

Prometo te amar. Só até ter que dizer adeus romance Capítulo 11

Desde o dia que Valeria aceitou Marco, sua vida começou a mudar. Este homem deixou de sair tão tarde do trabalho. Claro, a menos que fosse realmente muito urgente, mas pelo menos nos quinze dias que levavam saindo, isso não tinha sido necessário.

Marco procurava respeitar o horário de escritório, principalmente porque sua intenção era passar tempo com Valeria. Ela devia reconhecer que jamais tinha experimentado muitas daquelas coisas. Ele era um cavalheiro em toda a extensão da palavra. Abria a porta para ela subir e descer do carro, a pegava pela mão sem pena alguma ao sair para caminhar, sempre cuidando que ela fosse do lado da parede. A convidava para jantar. Os primeiros dias se esforçou em selecionar elegantes restaurantes, mas depois Valeria lhe disse que preferia algo mais modesto, então iam a cafés que ela mesma selecionava.

Ele, por sua vez, desfrutava da companhia de Valeria. Desfrutava complacê-la em seus pequenos caprichos, que basicamente eram sobremesas e caminhadas pelo Parque dos Cedros, aquele que enquanto ela esteve sozinha se tornou seu lugar favorito. Valorizava que ela compartilhasse esse lugar com ele, pelo que jamais se negava a esses passeios noturnos. Alguns dias sozinhos, outros na companhia de Paloma.

No escritório se suspeitava que ambos estavam saindo. Aquele cavalheiro não negava nem aceitava nada, isso a pedido de Valeria, já que não queria que seus colegas entrassem em conflito pela proximidade com o chefe, já que dentro da empresa ela continuava sendo sua subordinada e não queria um tratamento especial. Se tivesse sido por Marco, ele já teria gritado aos quatro ventos que efetivamente estavam saindo e que ela era a mulher de sua vida, mas devia ir devagar e aceitar as decisões da mulher que tinha ao seu lado.

Numa dessas tantas saídas, Marco a levou ao mirante do Edifício Central para que ambos pudessem desfrutar da vista. Basicamente Marco tinha reservado todo o lugar para eles dois. Não queria interrupções. Jantaram e beberam vinho. Ela observava a cidade desse lugar e Marco a abraçava por trás.

— Valeria... você me devolveu a paz... meu coração se encontra sereno. Você é minha luz. Estes dias ao seu lado se me foram como água por entre os dedos. Sabe que antes de estarmos juntos me encontrava vivendo sem sentido. A única paz que sentia era quando via Paloma, mas agora me sinto completo. Não posso querer nada mais e não, não preciso de nada mais — disse aquele homem girando o corpo da moça para beijá-la. Esse beijo estava cheio de amor e tranquilidade.

Duas semanas tinham passado rápido demais. Era uma segunda-feira qualquer. Valeria estava no escritório de Marco. Saiu para ver Federico quando de repente uma ligação impediu chegar a este. A ligação provinha da recepção. A moça que cobriu seu lugar era nova e não conhecia todas as pessoas que às vezes procuravam Marco e Federico, pelo que falou diretamente com Valeria.

— Valeria, tenho aqui a senhorita Olsen. Vem ver o Senhor Barzinni. A anuncio? — disse a moça com dúvida. — Diz que é conhecida do Senhor Barzinni, mas não a conheço.

Valeria ao escutar o sobrenome sentiu uma pontada no estômago. Ela há algum tempo supôs que Marco saía com aquela mulher linda, mas tinha muito tempo sem ir à empresa, pelo que tinha suposto que aquela relação não tinha prosperado. Se eles já não estavam juntos, "a que tinha ido essa mulher procurá-lo?" pensou.

— Valeria? Está aí?

— Ah! Sim! Pode anunciá-la... — disse a moça com voz trêmula. — Na verdade, eu posso avisar. Estou perto do seu escritório.

— Sim, por favor!

Uma parte dela queria negar o acesso, mas "quem era ela para fazer isso?" pensava. Além disso, era um bom momento para ver a reação de Marco. No passado este homem sempre deixava de fazer o que estava fazendo para sair recebê-la esboçando um enorme sorriso. Depois de um tempo ambos saíam e ele já não voltava ao escritório.

Naquele tempo não lhe era de interesse com quem Marco saía, mas atualmente as coisas tinham mudado, pelo que ela teria esperado que ele pedisse para não dar acesso. Sem fim de coisas passaram pela mente da moça enquanto caminhava em direção ao escritório de seu chefe.

— Marco... na recepção se encontra a Senhorita Olsen. Pediu para ser anunciada — disse Valeria com um tom nervoso.

Marco levantou o olhar dos papéis que estava revisando e esboçou um pequeno sorriso. Esta reação irritou Valeria, que não esperava ver aquilo.

— Que lhe deem acesso? — perguntou Valeria um pouco séria.

— Ah! Eu desço para recebê-la. Por favor, avise à recepcionista que a Dra. Olsen me espere na recepção — disse Marco se levantando de sua cadeira e ajeitando o paletó.

Para Valeria isso fez um buraco no estômago, mas antes de dizer ou fazer algo inapropriado, saiu e ligou para a recepcionista.

— Karen... o senhor Barzinni vai vê-la na recepção — disse a moça com um tom de voz entrecortado.

— Ok... entendido! Num momento aviso.

— Marco, só passava para te ver. Sei que terminamos, mas quis te ver como amigos. Queria perguntar como vai sua perna? Como se sente?

— Olsen, acho que isso pode me perguntar por e-mail ou por ligação. Não é necessário que venha até aqui me ver. Além disso, para ser sincero, por enquanto não quero que sua visita seja mal interpretada.

— Marco, quem poderia mal interpretar esta saída? A menos, claro, que tenha companheira. Tão rápido se esqueceu de mim?

— Olsen... há algo que ainda não fica claro para você. Não tenho por que te dar explicações. Da última vez terminamos com uma boa relação, mas não gostaria de mudar esse status porque você faça alguma besteira.

— Marco... não tem por que me falar assim... se não queria falar comigo, podia ter se negado — disse a moça um tanto irritada.

— Olsen, vou esclarecer algo que devia ter feito desde o princípio. Estou muito agradecido por todo o esforço e tempo que investiu na minha recuperação. No entanto, por essa gratidão não quer dizer que vou estar para você quando quiser. Somos adultos e sei que tivemos algo. Não funcionou e cada um tomou seu caminho. Foi bom ou ruim, mas isso terminou. Deve entender que quando alguém termina uma relação, não procura aquela pessoa que deixou.

— Marco... é só que... — disse a moça envergonhada.

— Não, Olsen! Não, não use o tom lastimoso comigo. Sabe bem que eu não vou me comover por isso. Te peço que entenda que acabou nossa relação e que não quero nem preciso de suas visitas. Fui muito claro quando te acompanhei ao aeroporto naquela ocasião. Sua felicidade não está ao meu lado. Não quero te absorver aqui. Tem talento e não quero que o desperdice. Se deve crescer mais e se desenvolver mais, faça, mas me deixe fora de sua vida.

Dizendo isso, Marco se levantou da mesa, pagou os cafés que ainda não tinham chegado e foi embora.

Ele considerava que com isso esse ciclo de sua vida estava fechado. Ele não queria que a presença de Olsen afetasse sua relação com Valeria. Por isso preferiu falar com aquela mulher que tinha sido sua médica por muito tempo. As coisas não funcionaram e ele agora estava com Valeria. Não permitiria que seu passado se aproximasse nem um pouco.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Prometo te amar. Só até ter que dizer adeus