O telefone tocou por alguns segundos, e então a voz grave e aveludada do homem soou do outro lado, com um toque de cansaço.
— Finalmente resolveu me ligar?
— O estudo está puxado.
Ao ouvir a voz dele, a garota mudou para uma posição mais confortável, seus nervos tensos relaxaram completamente, e ela ergueu uma sobrancelha.
— Tão boazinha assim?
Os cantos dos lábios de Fabiano Matos se ergueram, e sua voz se suavizou involuntariamente, terna e delicada.
— O que aconteceu? Parece que você está de bom humor.
Estava tão óbvio assim?
— Nada. — Os olhos estrelados de Rafaela Ribas se estreitaram ligeiramente, um sorriso brincando em seus lábios, e ela disse em voz baixa: — É você que não parece feliz.
Ela percebeu, sua voz estava muito cansada.
Quem o deixou com raiva?
Uma pessoa ou algo do trabalho?
Só de pensar nisso, Rafaela Ribas sentiu um aperto no peito.
— Rafaela me ligando, eu não poderia estar mais feliz. — Após um silêncio de dois segundos, o homem riu baixo e a tranquilizou com voz suave: — Aconteceu uma coisinha, estou resolvendo.
— Oh.
Rafaela Ribas não perguntou mais nada. Seus dedos entraram na mochila, e ela apertou distraidamente a camisa branca lá dentro, sentindo-se muito frustrada.
Estava com saudades dele.
Ela raramente ligava para as pessoas por iniciativa própria, muito menos tinha o hábito de ficar horas no telefone. Depois de algumas perguntas secas, a conversa morreu.
— Fique quietinha na escola. Vou tentar voltar o mais rápido possível e trazer um presente para a Rafaela.
— Hm.
Rafaela Ribas respondeu baixinho.
— Hm, e depois? — Fabiano Matos, com uma mão no bolso, olhava para o horizonte, um sorriso nos cantos dos olhos. — Garotinha, eu... agora estou realmente de mau humor e preciso de um carinho.
Rafaela Ribas mordeu o lábio rosado e, ao ouvir isso, suas sobrancelhas se arquearam desconfortavelmente.
— Fique feliz. — As bochechas da garota coraram. Na frente de Hugo e Adler, era um pouco difícil de dizer. — Eu espero você voltar.
Assim que as palavras foram ditas, uma risada grave e vibrante do homem ecoou pelo telefone, extremamente sedutora.
— Socorro! Então é assim que a chefe namora. Cega meus olhos!
Rafaela Ribas apertou os lábios, com uma expressão descontente.
— Chefe, você não se sente culpada por enganar seu próprio homem de forma tão séria? — Adler disse, rindo. — Eu realmente deveria ter filmado a cena do tiroteio de hoje, para que o Fabiano Matos visse o quão feroz é a sua "garotinha boazinha"...
— Cale a boca.
Rafaela Ribas o achou barulhento e, irritada, pegou a garrafa de água ao seu lado e a atirou nele.
— Da próxima vez que o chamar pelo nome, cuidado com a sua língua.
Adler fez uma careta e resmungou para si mesmo: É o amor.
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Não havia se passado nem dez minutos desde que saíram do Cassino do Submundo.
Todo o Continente M entrou em estado de alerta, e o número de pessoas inspecionando em vários postos de controle aumentou significativamente.
Se não estivesse enganada, estavam procurando por eles.
O olhar de Rafaela Ribas se aprofundou. Ela puxou Adler do assento do motorista e sentou-se, com as mãos no volante, e disse com indiferença:— Segurem-se, vamos pela estrada da montanha.

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