O homem se levantou, ajoelhou-se no sofá e, com um secador de cabelo, começou a secar gentilmente o cabelo dela.
Rafaela Ribas se moveu para frente, sua testa tocando o peito forte do homem, o aroma fresco e agradável dele preenchendo suas narinas.
Ele era bom, sua família também era boa.
Ter um namorado assim não parecia nada mal.
Enquanto divagava, o secador parou. Rafaela Ribas se afastou do peito do homem.
Em poucos segundos, voltou ao lado de Fabiano Matos com a mochila nas mãos.
Então, silenciosamente, começou a tirar os deveres de casa de fim de semana, um por um.
Fabiano Matos largou o secador de cabelo, aproximou-se, com o peito aquecido encostando nas costas da menina, com a voz grave.
— Tão tarde e ainda vai fazer lição? Deixe para amanhã.
Rafaela Ribas lançou-lhe um olhar indiferente e compreensivo, sem dizer nada, sem parar o que estava fazendo.
Eram sete provas, quatro séries de exercícios e duas redações.
Era, para dizer o mínimo, insano.
Com a lição de casa arrumada, a garota jogou a mochila de lado, virou-se para encarar Fabiano Matos e seus lábios rosados se abriram.
— Eu... pode ajudar a sua namorada com a lição de casa?
— ...O quê? — Os olhos do homem se estreitaram, com um toque de confusão, encarando Rafaela Ribas sem piscar, antes de sorrir e dizer em voz baixa: — Raffi, você está brincando comigo?
A garota franziu os lábios, agarrou o colarinho do homem e o puxou para baixo com força.
Então, na ponta dos pés, ela o beijou nos lábios sem hesitar. — Eu... ainda quer a sua namorada ou não?
Suas sobrancelhas estavam arqueadas, o tom de voz mimado.
A respiração de Fabiano Matos ficou irregular. Ao se recuperar, ele instintivamente envolveu a cintura dela com as mãos. — Um negócio tão vantajoso, não há motivo para recusar, não é?
— Hum, é verdade. — Os lábios vermelhos de Rafaela Ribas se curvaram, seus dedos finos e brancos tocaram o peito do homem e ela o beijou novamente. — Hora de fazer a lição de casa... namorado.
Os nervos de Fabiano Matos se tencionaram, sua garganta se moveu e ele se inclinou para beijá-la novamente.
Neste momento, no hospital.
Samuel Carneiro já estava com o traje estéril e, ao lado de um grupo de professores extremamente animados, formava um contraste marcante.
A pressão era baixa, seu rosto bonito estava gelado como o gelo, resumindo-se em duas palavras: irritado!
— Faltavam cinco minutos, quando ela chegaria?
O homem olhou para o relógio, seu semblante sombrio transmitia um descontentamento enorme com Noite.
Arrogante e sem noção de tempo.
O mais importante, porém, é que por causa dela, ele mais uma vez perdera a chance de ver a irmã.
— Eu dou dois minutos, se ela não chegar até lá, eu vou...
Nesse momento, o som apressado dos passos do assistente e uma voz animada ecoaram na porta.
— A Professora Noite chegou!

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