— Hmm?
Rafaela Ribas estava de cabeça baixa, desabotoando o casaco que a envolvia.
Provavelmente por ter acabado de acordar, ela ainda estava um pouco grogue e, depois de várias tentativas, não conseguiu desabotoá-lo, seu rostinho se contraindo em uma careta.
— Já pensou em se mudar de volta? — Fabiano Matos afastou a mão dela e desabotoou o casaco para ela com gentileza.
— Está me expulsando?
Ao ouvir as palavras do homem, a garota franziu a testa ainda mais, seus belos olhos se voltaram para ele, e seu tom era muito frio.
— Claro que não.
Fabiano Matos tirou o casaco, arrumou o cabelo dela que estava bagunçado, curvou-se e disse com uma voz sedutora:
— Porque eu também não quero que a Rafaela vá embora.
— Hmm.
Rafaela Ribas o encarou por alguns segundos, depois desviou o olhar preguiçosamente, bocejou e disse em voz baixa:
— Não me adapto a camas novas, não vou.
Não se adapta a camas novas?
Fabiano Matos sorriu, um misto de resignação e indulgência.
Desde que se mudou para cá, ela mal dormiu uma noite inteira nesta cama do quarto.
— Está com sono, vá tomar um banho e dormir.
Vendo que ela mal conseguia manter os olhos abertos de sono, Fabiano Matos não teve coragem de continuar a incomodá-la com conversas.
— Hmm.
Rafaela Ribas assentiu com indiferença.
Fabiano Matos pegou o casaco e, ao chegar à porta, parou de repente, virou-se de lado e olhou para trás.
— Garotinha, não tem nada para dizer a mim?
— Que?
Rafaela Ribas ergueu ligeiramente os olhos, sem entender.
— Assuntos da escola, também serve.
Rafaela Ribas franziu os lábios, continuando confusa.
Fabiano Matos também queria se meter no fato de ela não ter feito a lição de casa e dormir na aula?
Vendo que ela não dizia nada, Fabiano Matos sentiu um aperto no peito, forçou um sorriso e disse em voz baixa:
Ele acendeu a luz do corredor e deixou a porta do quarto bem aberta.
Depois de tomar banho, ele se deitou na cama, seus olhos profundos fixos no relógio de parede, contando o tempo seriamente...
Meia-noite, Rafaela deveria chegar.
Meia-noite e meia, ela não veio.
Uma hora...
Uma e meia...
Até as duas da manhã, a garotinha não apareceu como de costume.
Desde que chegou ao Condomínio Sol Nascente, ela vinha pontualmente à meia-noite todas as noites, mas hoje foi uma exceção...
Lembrando-se da mensagem de texto no celular dela, Fabiano Matos massageou as têmporas, sentindo-se um pouco melancólico.
Será que havia alguém de quem ela gostava ali, e por isso, inconscientemente, ela estava evitando o contato com outros homens?
Após alguns segundos de silêncio, Fabiano Matos levantou o cobertor, foi até a janela de vidro e, através do reflexo, viu seu próprio rosto e corpo, sorrindo com resignação.
Ele era tão velho assim?
Parece que ele precisava se cuidar bem, senão sua garotinha seria realmente roubada.

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