Trapaça?
Ao ouvir as palavras da garota, os olhares da turma se voltaram para a última fileira.
Pousando significativamente em Evelise Faria.
Na memória deles, a única pessoa que ousaria trapacear em uma prova de física era Evelise Faria.
Anos atrás, ela entrou na turma A da Escola Saint como a primeira colocada na competição nacional de física.
Talvez para manter seu status de "divindade", ela teve a audácia de trapacear na prova de física do Professor Rocha, o careca, e foi pega em flagrante.
Na época, ela argumentou veementemente que não havia trapaceado.
Mas o caderno de fórmulas que caiu aos seus pés era, de fato, seu.
Por isso, Evelise Faria se tornou um exemplo negativo para toda a escola.
Vendo todos olharem para ela, o rosto de Evelise Faria mudou.
Ela mordeu o lábio, sua expressão se tornando sombria.
— Não fui eu, eu não trapaceei!
Queriam caluniá-la de novo!
A colega torceu os lábios e riu com sarcasmo.
— Ninguém disse quem foi. Por que você está tão agitada? Será que a consciência pesou?
Consciência pesada?
Evelise Faria se levantou de um salto.
Suas mãos se fecharam em punhos, e seus olhos cor de cereja estavam marejados.
— Eu não trapaceei. Nunca.
Nem há três anos, nem agora.
A lembrança de ser falsamente acusada de trapaça, de ser punida por Gabriel Rocha e de gaguejar ao ler uma carta de autocrítica de mil palavras na frente de toda a escola... a autoestima de Evelise Faria parecia ter sido jogada no chão e pisoteada novamente.
Era humilhante.
— Alguém com seu histórico... quem sabe se não trapaceou de novo por vaidade...
Pá—
Antes que a colega terminasse sua zombaria, Rafaela Ribas, sentada ao lado de Evelise Faria, chutou a cadeira com impaciência.
— Você fala tanta merda. Se escondeu na hora da evolução humana?
A garota ergueu a cabeça.
Rafaela Ribas se levantou e caminhou com suas longas pernas em direção à garota que falava.
Instantaneamente, os estudantes curiosos no corredor se afastaram para os lados, abrindo caminho.
Com uma mistura de medo e admiração, eles observavam secretamente a garota imponente.
A colega só queria ter a última palavra, mas não esperava irritá-la de verdade.
Ao ver o rosto frio e glacial de Rafaela Ribas, seu coração tremeu.
— O que... o que você quer fazer?
Rafaela Ribas parou na frente da colega.
Ergueu levemente o olhar, sua voz sem calor.
— Gosta tanto de fofocar, não tem medo de apodrecer a boca?
A colega respirou fundo, sem ousar dizer uma palavra.
— Já que tem um rosto humano, fale como um ser humano. Não tem problema ter a cabeça vazia, o importante é não deixar entrar água.
Rafaela Ribas a encarava de cima.
Sua aura intimidadora era como uma montanha pesando sobre a garota, que, aterrorizada, apenas assentia repetidamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Poxa, Cara, Para de me investigar!