Provavelmente doeu de verdade.
A garotinha se aninhou nele, com uma mão na testa e a outra agarrada ao seu braço, seus olhos límpidos estavam avermelhados, com uma expressão de mágoa que partia o coração.
Os olhos do homem escureceram, ele respirou fundo e, depois de recuperar a compostura, sentou-se.
Sua mão grande e forte passou por baixo do braço da garota e a puxou com um pouco de força.
A garota, como um gatinho, caiu em seus braços.
Por um instante, seus olhares se encontraram.
O tempo pareceu parar, a atmosfera tornou-se embaraçosa.
Fabiano Matos manteve-a em seus braços, as sobrancelhas franzidas, seus olhos negros e gentis fixos no rosto delicado da garota, com um traço de pânico.
A dor de agora a fez voltar ao normal?
Caso contrário, por que ela o encararia assim?
No momento em que Fabiano Matos já estava pensando em como explicar a situação, a garota de repente fechou os olhos, inclinou o corpo ligeiramente e enterrou o rosto em seu peito.
Em menos de cinco segundos, uma respiração quente e suave soou perto de seu ouvido.
Ela havia adormecido.
Fabiano Matos baixou o olhar para a garotinha de olhos fechados, sorriu impotente, levantou-a, mudou-a de posição e a colocou com extremo cuidado no travesseiro.
Em seguida, tirou a mão dela de seu pescoço e a colocou cuidadosamente sob o cobertor.
Com a mão subitamente vazia, Rafaela Ribas ficou extremamente inquieta, procurando a mão de Fabiano Matos por toda parte, tão nervosa que um suor fino começou a brotar em sua testa.
Fabiano Matos franziu a testa e imediatamente lhe ofereceu a mão.
Vendo a garota agarrar sua mão como se fosse uma tábua de salvação, Fabiano Matos se lembrou de algo, e seu olhar tornou-se profundo e indecifrável.
Quando a menina foi à sua casa pela primeira vez e caiu no jardim, ela segurou sua mão por iniciativa própria e ficou muito comportada.
Depois disso, toda vez que ia ao seu quarto, ela se acostumou a dormir abraçada à sua mão.
Se ele a soltasse um pouco, ela mostrava uma expressão de grande inquietação.
Fabiano Matos entendeu mais ou menos.
Ela não estava interessada nele, mas em sua mão.
Fabiano Matos levou Rafaela Ribas até o portão da Escola Saint.
Ao descer do carro.
O homem de repente segurou seu pulso, abriu sua bolsa e colocou dois pacotes de salgadinhos e uma garrafa de leite dentro.
— Tem prova hoje?
O homem não parecia ter a intenção de soltá-la, seu rosto bonito e austero exibia um sorriso preguiçoso e charmoso.
Era de se perder o fôlego.
— Sim. — ela respondeu preguiçosamente, deixando-o segurá-la.
Lembrando-se da noite anterior, quando a levou de volta para o quarto e a garotinha se agarrou à sua mão, recusando-se a soltá-la.
Fabiano Matos ergueu uma sobrancelha, seu olhar relaxado pousou em suas mãos entrelaçadas, e um sorriso apareceu em seus lábios.
— Rafaela, você gosta da minha mão?
Ao ouvir isso, Rafaela Ribas lançou um olhar lento para o homem, seu rosto delicado e bonito estava perfeitamente calmo.

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