Apenas olhando para a disposição e as cores dos pratos, Alana conseguiu identificar imediatamente o restaurante de onde haviam sido comprados.
— Ficou tocada? — Edgar entregou-lhe os talheres. — Não se emocione ainda. Coma enquanto está quente, porque não vai ficar bom quando esfriar.
Alana pegou os talheres, mas, antes mesmo que pudesse dar a primeira mordida, a porta do quarto se abriu.
Daniel entrou na enfermaria. Ao ver os dois jantando, percebeu que havia chegado a vez de Edgar comer.
— Por que você está aqui de novo? — perguntou Edgar, com uma expressão nítida de desagrado. Então, como se tivesse se lembrado de algo, olhou para o paletó e o caderno que Daniel havia deixado sobre o sofá. — Leve suas coisas. Eu vou cuidar bem da minha irmã!
— Ninguém precisa ficar para trás. Contratei uma cuidadora — disse Alana. Logo após falar, ela se lembrou de que havia solicitado o serviço de uma profissional naquela manhã, mas a mulher ainda não havia chegado.
Daniel caminhou até o sofá e sentou-se, sem demonstrar a menor intenção de sair. Ele disse com firmeza:
— Eu cancelei.
— Então é assim mesmo... — murmurou Alana, com uma expressão bastante desagradável.
Então ele realmente se acha no direito de ignorar tudo o que eu digo e tomar decisões sem levar em consideração os meus sentimentos, pensou ela.
— Tenha ou não uma cuidadora, você não precisa ficar aqui — cortou Edgar, dispensando-o com um gesto de mão. — Eu cuidarei bem da minha irmã. Se você está tão entediado, deveria ir à delegacia e ficar de olho na sua namorada.
Ao ouvir isso, os cílios curvados de Alana tremeram levemente.
O rosto de Daniel permaneceu frio e sua voz soou implacável:
— As provas da conivência de Mariela com Ricardo são conclusivas. A polícia encerrará o caso o mais rápido possível.
Edgar ficou surpreso e olhou para Alana, confuso. O que Daniel queria dizer com aquilo? Ele não iria mover os pauzinhos para proteger a Mariela?
— Edgar, você acabou de se recuperar e está cheio de compromissos com o trabalho. Não fique no hospital, vá para casa — Alana interveio, evitando falar sobre Mariela. Ela não queria que o irmão se desgastasse ali.
Se alguém tinha que ficar naquele quarto e suportar aquele clima sufocante, por que ela deveria fazer Edgar passar por isso também?
— Estou bem, Alana — insistiu Edgar. — Irmã, vamos comer primeiro.
Alana segurou os hashis sem se mexer, dizendo em tom resoluto:
— Eu não vou comer a menos que você vá embora agora e descanse.
Edgar olhou para Daniel e percebeu que o homem definitivamente não arredaria pé dali. Sem alternativas, ele cedeu:
— Está bem, está bem. Eu volto amanhã cedo.
— Certo. Coma tudo no caminho, depois vá direto para casa e descanse — pediu Alana, e só então voltou a se concentrar na comida.
Se Daniel não tivesse aparecido, os dois irmãos teriam jantado e conversado alegremente. Mas, com a presença dele, o ambiente tornou-se pesado. Edgar terminou de comer em silêncio, sem dizer mais uma palavra sequer.
Dez minutos depois, ele guardou a garrafa térmica e se despediu, olhando para trás a cada dois passos antes de finalmente cruzar a porta.
Alana deitou-se na cama e ligou o celular, apenas para descobrir que todas as notícias e escândalos sobre Mariela na internet haviam desaparecido por completo.
Ele a protegeu afinal de contas, pensou com amargura.
Suzi também percebeu a mudança repentina na rede e enviou uma mensagem no Chat reclamando da injustiça, além de perguntar se Daniel havia saído do hospital naquela noite.
Alana respondeu de forma curta:
Ele está aqui.
O quê?!
Suzi digitou imediatamente.
Você quer dizer que ele deixou a polícia levar a Mariela, causou aquele escândalo todo na empresa e agora abafou os assuntos mais comentados nos portais? O que diabosele está querendo com isso?
Alana também não conseguia entender o jogo de Daniel. E, sinceramente, ela não queria mais perder tempo tentando adivinhar.
No meio daquele silêncio incômodo do quarto, o telefone vibrou mais uma vez. Pensando ser outra mensagem de Suzi, ela viu que se tratava de Fengchen.
Eduardo:

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