Alana respondeu ao entregador, pegou a sacola com a comida para viagem e sentou-se no sofá. O mingau simples e a pequena porção de legumes em conserva que ela havia comprado por conta própria eram infinitamente menos suntuosos do que o banquete que Daniel havia trazido. No entanto, ela apenas mergulhou a cabeça na refeição e comeu com grande prazer.
A expressão de Daniel não era das melhores ao testemunhar aquela cena, mas ele tentou se acalmar pensando que, assim que a polícia encerrasse o caso e ela descobrisse que tudo não passara de um mal-entendido, ela pararia de agir com tanta frieza. Ele entrou no banheiro, lavou-se e trocou de roupa.
Quando saiu, Alana já havia terminado de comer. Ela havia recolhido a embalagem de sua própria comida e deixado o café da manhã intocado que ele trouxera exatamente no mesmo lugar onde ele estivera sentado na noite anterior. A jovem já havia retornado para a cama do hospital, isolando-se em seu próprio espaço.
Daniel, que não havia tomado café da manhã, perdeu completamente o apetite. Ele ajeitou o cabelo curto, empurrou de lado a comida que ela se recusara a tocar e sentou-se no sofá para adiantar o trabalho. Como ele havia decidido não comparecer ao Grupo Scroop, o Assistente pessoal de Daniel não teve escolha senão levar pessoalmente os documentos urgentes para que ele os despachasse.
Ao entrar na enfermaria, o Assistente pessoal de Daniel sentiu imediatamente o silêncio sepulcral e instintivamente teve vontade de escapar daquele ambiente sufocante. A cama do hospital e o sofá pareciam dois mundos paralelos, completamente incompatíveis.
— Sr. Daniel, os documentos que exigem sua assinatura — disse o funcionário, aproximando-se com cautela.
Daniel bateu com os dedos na mesa de apoio.
— Largue isso aí.
O Assistente pessoal de Daniel olhou para Alana de soslaio, mas focou em entregar o relatório de trabalho de rotina ao chefe. Ele começou a usar uma série de termos técnicos da empresa que Alana não compreendia perfeitamente, mas a jovem pôde notar que a fisionomia de Daniel ficava cada vez mais tensa e seu tom de voz piorava a cada linha lida. No fim, ele simplesmente largou a caneta com força, tirou um maço de cigarros do bolso do paletó e saiu abruptamente do quarto.
O Assistente pessoal de Daniel o seguiu de perto, e os dois se dirigiram até a área de escape na escadaria do Hospital Municipal.
— Resumindo a situação, chefe, os membros do conselho de administração foram fortemente influenciados pelas notícias negativas sobre a vice-presidente Mariela e já começaram a criticar minuciosamente a gestão — relatou o assistente.
No ambiente corporativo, quando os acionistas querem atingir o presidente, eles não atacam abertamente; começam apontando defeitos em cada pequeno detalhe dos projetos em andamento.
Daniel segurava o cigarro entre os lábios finos, sentindo uma irritação inevitável tomar conta de si, embora o cenário já fosse esperado.
— O inquérito policial já está concluído?
O Assistente pessoal de Daniel franziu a testa e balançou a cabeça de forma negativa.
— Ainda não, senhor. A Sra. Mariela está exigindo ver o senhor e a senhorita Marília em caráter de urgência.
Urgência? Mariela amava Marília mais do que a qualquer outra pessoa neste mundo e sabia perfeitamente que a irmã entraria em desespero se a visse naquela situação na delegacia, prestes a ser condenada. Portanto, a exigência de se encontrar com Marília e Daniel era meramente uma jogada emocional para forçar Daniel a visitá-la, sabendo que ele cederia por consideração à saúde da caçula.
Por coincidência, Daniel também tinha contas a acertar e verdades que queria dizer olhando nos olhos dela.
— Como foi a noite da Marília? — perguntou ele, voltando-se para o assistente.
— De acordo com o relatório da cuidadora profissional que o senhor contratou, a senhorita Marília não conseguiu dormir a noite toda. Ela chorou sem parar e seu estado emocional está muito instável.
O Assistente pessoal de Daniel temia que, se Mariela fosse formalmente condenada à prisão, Marília não resistiria ao choque. Daniel precisava garantir a integridade física da jovem doente ao máximo possível.
Ele exalou a fumaça e ordenou friamente:
— Peça para a polícia trazer a Mariela até o hospital sob custódia.
— Certo, chefe. Vou providenciar isso agora mesmo — respondeu o assistente, retirando-se para cumprir a ordem.
Daniel jogou a ponta do cigarro fora e retornou ao quarto, com a intenção de avisar Alana de que precisaria se ausentar por um momento para resolver um problema. No entanto, Alana permaneceu sentada na cama do hospital folheando o celular, sem sequer ergugar os olhos para notar sua presença. Após hesitar por alguns segundos diante daquela indiferença, ele apenas pegou seu casaco e saiu em silêncio.
A polícia atendeu ao pedido e escoltou Mariela até o Hospital Municipal, onde Daniel já a aguardava em uma sala reservada, ao lado da ala de observação de Marília. Em apenas uma noite na carceragem, toda a postura nobre, altiva e distante de Mariela havia desaparecido por completo. Ao avistar Daniel entrar no recinto, ela imediatamente deu um passo à frente, as algemas tilintando.
— Daniel, eu juro que sou completamente inocente! Eu nunca me encontrei com o Ricardo em particular para planejar aquilo, eu...
— Aquelas fotos falsas que você enviou para a Marília no passado não foram tiradas pelo Eduardo a mando da diretoria da Competição— interrompeu Daniel, cortando-a com uma voz gélida. — Quando foi exatamente que você começou a planejar toda essa teia de mentiras pelas minhas costas?
Mariela empalideceu instantaneamente, ficando estupefata. Ele descobriu... Daniel realmente investigou o passado a fundo!, percebeu, em pânico. Sabendo que não havia como negar aquela evidência, ela tentou se justificar às pressas:

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