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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 742

NARRADORA

Ele saiu como um demônio, reunindo os poucos que ainda podiam lutar, homens tão desesperados quanto ele, em busca de suas mães, companheiras, filhos.

Cerca de vinte elementais desceram a montanha... e quando Zarek ficou sabendo e chegou à mansão de campo daqueles nobres vampiros... só restava um.

Viu seu amigo, aquele que o havia recebido de braços abertos, ajoelhado no meio do jardim, ainda segurando o corpo mutilado de sua mulher.

O local estava manchado com a vida daqueles pobres elementais que jamais foram páreo para tantos vampiros adultos em festa, bêbados de luxúria e sede de sangue.

Eles haviam se divertido com o corpo de Rousse, cravando espadas e facas pelas costas, enquanto ele protegia a mulher assassinada em seus braços.

Os olhos de Zarek se tornaram vermelho-escarlate ao ouvir as risadas e zombarias, chutando o corpo dele, prolongando sua dor.

Rodeado por aquelas pragas que se diziam nobres.

Quando perceberam sua presença… já era tarde demais para eles.

Naquele dia, ele exterminou cada alma daquela mansão, mas nada traria Rousse de volta.

Seu último suspiro foi nos braços de Zarek, com lágrimas amargas escorrendo dos olhos apagados.

Ainda segurava firme a mão gelada de sua esposa, sem soltá-la, profundamente arrependido por ter levado a calamidade à sua aldeia.

"Eu não vou deixar você morrer, Rousse, isso não é justo. Vou arrancar você das garras da morte."

As palavras de Zarek agora ecoavam em sua mente.

Ele o transformou em um dos seus primeiros mortos-vivos — o mais perfeito, letal, o mais “humano”.

Rousse se lembrou da dor que aquelas memórias lhe causaram, de como encontrou sua mulher sendo estuprada como parte das “diversões” da festa.

A raiva cega. A impotência. O remorso.

Entendeu por que Zarek escondeu aquilo sob tantas restrições.

Tinha medo de ser odiado e culpado por Rousse. Chegava até a se perguntar por que não havia revivido também sua esposa.

Mas no fundo ele sabia que suas tragédias não foram culpa do príncipe vampiro, e ao longo dos séculos, Rousse viu sua justiça, sua luta solitária, e conseguiu sobreviver até hoje.

Até este momento… em que novamente o amor da sua vida podia morrer diante dos seus olhos.

Rousse se lançou sem pensar atrás de Meridiana, que lutava para sair do corpo de Celia antes que ele virasse seu caixão.

A mão do general se estendeu no ar, tocando apenas a ponta dos dedos dela, vendo sua expressão de pânico.

Lutando para segurar Meridiana, como fez no passado com sua esposa e o bebê que não chegou a nascer.

Dessa vez, ele não deixaria levarem sua alma gêmea. Dessa vez, Zarek lhe havia dado o poder para protegê-la.

Abriu a boca e sua voz saiu como um trovão, invocando os poderes dos mortos.

O chão tremeu, e raízes negras de cinzas, podres de tanto se esconderem debaixo dos túmulos, se estenderam pelas rachaduras da terra.

Seguraram no ar o corpo de Celia prestes a se chocar contra o solo.

Sua cintura, sua cabeça, suas pernas foram sustentadas com uma delicadeza incrível, como só Rousse sabia fazer.

O general caiu com força na praça, aterrissando de pé ao lado da trepadeira gigantesca, levantando poeira.

—SAIA DE UMA VEZ, ABANDONE ESSE CORPO! —Victoria viu ele gritar para a feiticeira, enquanto a segurava nos braços e a colocava no chão.

Rousse estava tremendo, seus olhos erráticos cheios de um medo que ela nunca tinha visto.

A sombra de Meridiana finalmente deixou o corpo de Celia, que caiu de lado, exalando seu último suspiro.

Em meio ao caos, Rousse segurava sua mulher contra o peito, levantando-a, abraçando-a tão forte que parecia querer escondê-la dentro de si para sempre.

—Não posso te perder também... não posso...

Apertou os cabelos dela contra o peito, enterrando o rosto no pescoço.

Meridiana sentiu algo molhado escorrer pela pele sem parar: Rousse estava chorando.

O movimento dos ombros dele tremia cada vez mais, com soluços roucos — como se uma represa tivesse se rompido nos olhos antes tão secos.

Ela se agarrou a ele, tentando acalmá-lo, consolá-lo… mesmo sendo ela quem quase morreu.

Sentiu as sombras se moverem na mente dele — ele se lembrava de tudo. Estava em choque, mas infelizmente aquele momento de intimidade e dor não duraria.

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