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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 727

NARRADORA

Agora tudo fazia sentido nas memórias fragmentadas que Meridiana havia roubado da jovem maga.

Um feitiço em específico se repetia como um loop na mente daquela feiticeira.

Ela não queria esquecê-lo, então recitava sem parar.

Meridiana aprendeu com ela: a forma de extrair, pouco a pouco, a energia perigosa daquele cristal.

Era apenas um fragmento, roubado pelas feiticeiras aprisionadas.

Conseguiram passá-lo, com muito sacrifício, para aquela garota que servia como escrava de Celia.

Ela era a esperança delas, pois tinha a chance de escapar da fortaleza e roubar a magia do cristal para se fortalecer.

Encontrar mais clãs de bruxas, planejar o resgate…

Obviamente, não conseguiu fazer nada disso.

Chegou até a ter que se livrar do cristal durante uma revista nas portas, senão teria sido pega.

—É óbvio que isso é muito importante… —Rousse também chegou a essa conclusão, tirando um lenço para envolvê-lo.

Ele se sentia desconfortável, não queria tocar mais naquilo.

—Não podemos deixar que isso caia nas mãos de algum lobo.

De repente, Marius deu um passo com uma expressão de quem tinha lembrado de algo muito desagradável — e de fato tinha.

—Por quê? —Rousse levantou uma sobrancelha.

Claramente, não tinham contado nenhum detalhe para aquele vampiro, muito menos a verdadeira origem daquele poder tirado da fortaleza.

—Eu... ouvi de alguém... essa foi a magia negra que os lobos usaram pra nos subjugar e escravizar.

Rousse o encarou fundo.

Cada vez mais se convencia de que a história daquele sujeito tinha furos por todos os lados.

—Bom, agora está em boas mãos. Vamos —disse, já seguindo em frente.

Estava ansioso pra falar com Victoria, precisavam ver como se infiltrar na fortaleza.

—Rousse, eu carrego, me dá, sei que está doendo —Meridiana sussurrou no ouvido dele.

Sua magia era tão sombria que um pouco mais de escuridão não fazia diferença para sua alma pura.

Rousse e ela conversavam em silêncio sobre como usar aquilo a seu favor.

Mas, atrás deles, Marius fazia o mesmo.

É claro que ele mentiu. Não ia dizer que era um dos vampiros escravistas da nobreza.

Muito menos de onde reconheceu o gosto daquela magia impressionante.

Seus olhos brilhavam como naquela madrugada em que os lobisomens os pegaram de surpresa nas próprias camas.

Eles tinham saído dos esgotos onde o Lorde os jogou pra morrer por terem se rebelado.

Dracomir e suas feras pareciam derrotados; como sempre, os vampiros se sentiam vitoriosos.

Mais uma rebelião sufocada.

Mas ninguém soube explicar como eles sobreviveram.

Muito menos a besta colossal que surgiu entre os soldados, matando e massacrando tudo no caminho.

Invadiu os corredores espalhando o caos e foi direto pra cortar a cabeça da família governante.

Aquela transformação, nunca antes vista, era de Dracomir.

Marius ainda lembrava, com o medo cravado nos ossos, quando o viu ao longe rugindo para os céus no topo da torre em ruínas.

A cabeça do Lorde vampiro e do general Hagen arrancadas em suas garras ensanguentadas.

O poder esmagador se espalhou como uma onda junto ao seu uivo arrebatador, puro ódio e raiva.

Aquele brilho em sua pelagem sob a lua era a mesma luz que agora cintilava nas profundezas daquele cristal.

A sensação opressiva de que uma besta justiceira vinha buscar a sua cabeça.

Se aquela magia fez um escravo moribundo evoluir para um lobo poderoso, será que também poderia levá-lo ao topo da evolução?

De repente, os olhos de Marius brilharam de cobiça olhando para as costas de Rousse.

Se arrependeu de não ter sido mais esperto.

Agora era tarde. Ele não era páreo pra aquele morto-vivo.

243. PLANOS ASTUTOS 1

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