NARRADORA
Sombras de asas passaram por cima do castelo destruído.
Quando Aidan parou de “alimentar” o feitiço, ele se quebrou como um castelo de cartas.
Desceu preocupado, temendo que os poucos criados estivessem mortos; receava que tivessem sido soterrados sob o gelo.
Mas não encontraram vestígios de nenhum corpo.
— Parece que, pelo menos, aquela tal de Lisa teve a decência de dispensá-los antes de levarem Isabella — Nyx disse, soltando uma baforada de fumaça branca pela boca.
As ventanias castigavam a passagem entre as montanhas, mas o poder de Aidan a protegia.
— Não sei para onde ela foi, não a vi mais no campo de batalha — Aidan franziu a testa.
Mas naquele momento, eles tinham coisas mais importantes a fazer do que se preocupar com o destino de Lisa.
— Aidan, não gosto desse lugar para Isabella. Ela ficou trancada aqui por tempo demais.
— Eu a mantive… fui eu quem a manteve trancada… — disse com um sorriso triste.
— Aidan…
— Mas já chega, jurei que não falaria do passado — falou, segurando sua mão e beijando-a suavemente.
— Vamos levá-la para uma colina linda perto do castelo real. Ali repousa um amor verdadeiro. Ela gostava de ir até lá.
Nyx sorriu e assentiu.
Ela não sabia exatamente a que ele se referia com “amor verdadeiro”.
Voltaram a carregá-la com cuidado, voando pelas alturas sob a bela lua.
“Você não precisava recolher os restos daquele desgraçado?”, a seleniana perguntou sobrevoando as ruínas.
“Isso é mais importante. Não se preocupe, eu consigo sentir… aquele infeliz ainda está preso sob a camada de gelo. Ele não pode se libertar”, disse entre os dentes, e Nyx não insistiu.
Ela mesma se encarregaria de desmontar, tendão por tendão, aquele filho da puta de lycan.
Quem disse que vingança também não traz satisfação?
*****
Algum tempo depois, chegaram a um lugar quente, onde a vegetação verde se espalhava entre as matilhas de lobisomens.
Ao longe, via-se um castelo magnífico com torres brancas e bandeiras tremulando ao vento.
— Aquele é o meu lar, onde nasci… e quero te apresentar ao meu povo — Aidan disse, olhando para o horizonte com melancolia.
Era hora de voltar para casa.
Nyx ficou de repente um pouco nervosa; mal teve contato com seus sogros no meio de tanta loucura.
Sempre se sentia insegura com o que os outros pensariam.
Será que, no fundo, achariam que ela era uma desgraçada que roubou o companheiro de uma moribunda?
— Não pensa demais. Toda a minha família estava envolvida no plano da Isabella para nos aproximar. A Sacerdotisa Centuria me confessou isso —
Aidan a tranquilizou.
Levaria um tempo para que os dois saíssem das sombras do passado, mas juntos, conseguiriam.
Seus pés finalmente tocaram a grama macia.
Nyx ficou maravilhada com aquele lugar tão pacífico, onde os galhos das árvores balançavam suavemente e margaridas brotavam por todo canto.
Durante o dia, aquela colina devia ser linda.
— Aqui jaz o amor verdadeiro entre uma mulher de fogo e um homem de inverno — leu uma das inscrições deixadas em duas tumbas já ocupando parte da terra.
— Antigamente, a relação entre as Centurias e os Homens de Inverno não era como agora — Aidan explicou.
— Aqui estão enterrados meu tio e uma das primeiras Centurias. Eles eram companheiros.
Caminhou um pouco mais à frente e começou a cavar com uma pá de gelo enquanto falava.
Ele havia escolhido a ponta da colina, onde os raios da lua incidiam diretamente.
— Eles precisaram esconder o amor, fugir… as relações entre esses dois clãs eram complicadas — disse, resumindo uma história de ódio e até escravidão.
Nyx o escutava enquanto entrelaçava sua magia para forjar um ferro especial, dourado e negro, com as inscrições que colocaria sobre a tumba.
No meio da noite, entre palavras sussurradas e silêncios confortáveis, sepultaram finalmente o corpo de Isabella.
Com as mãos sujas de terra, Nyx colocou a lápide detalhada sobre os cabelos da falecida.
«Aqui jaz a mulher mais incrível e corajosa que já conheci. Que a Deusa guie seu espírito e guarde um destino incrível para ela.»
O coração de Aidan apertou ao ler a mensagem que Nyx havia deixado, junto com uma proteção sobre a tumba.
Ele ergueu as mãos e faíscas de magia invernal se fundiram para criar uma bela cobertura espelhada com entalhes de rosas — as flores favoritas de Isabella.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Lycan e sua Tentação Sombria
Eu tava no 334 do REI LYCAN E SUA TENTAÇÃO SOMBRIA, resolvi voltar no capítulo anterior e agora, apresentando o bilhete hoje de cobrança mas num deixa abrir. Da erro...
Pq aqui nesse livro vc não pode voltar num capítulo que já leu?...
Comprei o capítulo e não consigo ler porquê?...
Eu queria continuar lendo...