Ela não podia, de jeito nenhum, torcer o próprio tornozelo só para colaborar com a atuação de Benjamin Freitas.
Isso, sim, seria o cúmulo da estupidez.
Benjamin Freitas deu alguns passos à frente, mas ao se virar percebeu que Valentina Lacerda caminhava devagar atrás dele, mantendo uma distância de uns quatro ou cinco metros entre os dois.
Para quem não soubesse, até pareceria que eram completos desconhecidos.
Essa mulher!
Na frente das câmeras, ela tinha atuado tão bem que quase conseguiu enganá-lo.
Agora, nem se dava mais ao trabalho de fingir!
Com o rosto fechado, ele parou e ficou esperando Valentina Lacerda se aproximar.
Quando Valentina finalmente chegou ao lado dele, ele murmurou, baixo o suficiente para que só os dois ouvissem:
— Valentina Lacerda, lembra do nosso acordo? Estamos em público. Mesmo que seja só encenação, faça o favor de representar direito!
Valentina acreditava que já tinha feito um bom papel diante das câmeras.
Ela não entendia por que Benjamin Freitas estava tão irritado de novo.
E, sinceramente, não tinha a menor vontade de tentar adivinhar.
— O que mais você quer que eu faça? Diga logo, que eu colaboro.
Vendo Valentina tão impessoal, tratando tudo como mera formalidade, a raiva de Benjamin Freitas, que tinha diminuído um pouco, voltou com força total.
Ele semicerrrou os olhos, o olhar se tornou gélido.
— Na entrevista, você não atuou muito bem? Disse que, desde o primeiro momento em que me viu, sabia que só se casaria comigo, não foi? Agora, por que está tão distante de mim?
Por um instante, o coração de Valentina Lacerda pareceu ser perfurado por centenas de agulhas finas.
Não era uma dor insuportável, mas era suficiente para corroer o peito, deixando uma sensação amarga e sangrenta.
Afinal, o sentimento profundo que ela guardava, para Benjamin Freitas, não passava de encenação.
Ela tinha entregado o próprio coração, mas o homem que amava o jogava fora como se fosse algo sem valor...
De repente, Valentina Lacerda sorriu.
Curvou-se de tanto rir, com lágrimas tremulando nos olhos, mas ninguém percebeu.
Valentina Lacerda então segurou o braço de Benjamin Freitas.
— Era só avisar que precisava da minha colaboração. Achei que, depois da entrevista, não precisaríamos mais fingir.



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