Manuel Domingos engoliu a amargura e forçou um sorriso.
Ele colocou a mão suavemente perto do ventre de Valentina Lacerda. — Bebê, eu sou o seu tio! Cresça forte e saudável, e proteja sua mãe.
— Bebê, ouviu? — Disse Valentina Lacerda. — Você vai ter um tio bonito.
— Mamãe espera que você seja como seu tio, um pequeno sol feliz, capaz de aquecer os outros.
Manuel Domingos olhou para Valentina Lacerda.
— É verdade? Você quer que o bebê seja como eu?
Valentina Lacerda assentiu com um sorriso.
— Claro! Kiki, você não sabe o quão adorável você é.
Um sorriso lentamente se abriu no rosto de Manuel Domingos.
— Então, quando o bebê nascer, eu vou brincar muito com ele, ensiná-lo a andar de moto, a esquiar, para que ele seja como eu e te faça feliz.
Valentina Lacerda olhou para sua barriga e disse:
— Bebê, ouviu? Você vai ser o pequeno companheiro do seu tio.
Ela olhou para o relógio. Já era madrugada.
— Kiki, até logo.
Manuel Domingos disse "até logo" e observou Valentina Lacerda entrar no hotel.
Somente quando ela desapareceu de vista, ele colocou a mão no bolso.
Lá dentro, havia uma pequena caixa que ele preparara.
Ele não sabia se deveria se sentir aliviado por não ter entregado o presente.
Ele não sabia se, caso tivesse tido a coragem de dizer "eu gosto de você", nunca mais teria a chance de ver a mana.
Manuel Domingos ficou parado em frente ao hotel por um longo tempo.
Até que a garoa trazida pelo vento frio molhou a barra de seu casaco.
Ele pegou o celular e ligou para Rafael Araújo.
Rafael Araújo estava trabalhando em seu escritório.
Ao receber a ligação, ele olhou para o relógio.
Duas e meia da manhã.
Parece que o moleque já levou um fora.
Ele atendeu.
— A declaração foi rejeitada?
Manuel Domingos olhou para o céu escuro.

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