Ela apontou para o anel no dedo anelar de Benjamin Freitas.
— Pare de usar esse anel e me enojar!
Dito isso, ela se virou e foi embora, deixando Benjamin Freitas sozinho, de pé no vento frio da noite de inverno.
Ela disse que ele lhe dava nojo...
Sua preocupação, sua boa intenção, lhe davam nojo...
Nenhuma palavra poderia ser mais dolorosa.
Ele preferia que ela o esbofeteasse mais algumas vezes a ter que encarar o olhar de repulsa que ela lhe dirigia.
Benjamin Freitas observou a silhueta de Valentina Lacerda desaparecer gradualmente de vista.
Ele permaneceu ali, como se algo o prendesse ao chão.
Ele baixou o olhar para o anel em seu dedo anelar direito.
Então, até mesmo o fato de ele usar aquele anel era uma humilhação para ela...
Ela devia odiá-lo profundamente para querer cortar todos os laços de forma tão definitiva.
A área das vilas estava movimentada, e muitas pessoas viram a cena.
Mas ninguém ousou comentar.
Primeiro, ele defende publicamente a ex-esposa; logo depois, leva um tapa dela, e tudo por causa de outro homem...
Claro, com o status de Benjamin Freitas, ninguém diria nada na sua frente, mas pelas costas era outra história.
Em pouco tempo, o incidente se tornou o assunto do momento na alta sociedade.
Contudo, ninguém realmente acreditava que Benjamin Freitas fosse um romântico incurável; achavam que era apenas mais um "hobby" seu.
Afinal, não era a primeira vez que ele cuidava de uma "ex-esposa".
...
Valentina Lacerda teve uma noite de sono inquieta.
Em seu sonho, ela foi arrastada para um labirinto bizarro e psicodélico.
Ela tentava escapar, mas não havia saída.
Ela via Benjamin Freitas do lado de fora, observando friamente sua luta desesperada.
Ela queria pedir ajuda, mas nenhum som saía de sua boca.
Tentava se libertar, mas afundava cada vez mais, até que bolhas de cores estranhas a engoliram por completo.
Ela acordou daquela sensação de asfixia, ofegante.

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