Desde os dezoito anos, esse desejo nunca mudou.
Valentina Lacerda, imersa na tranquilidade da paisagem noturna, não percebeu o olhar determinado do homem ao seu lado.
Sem perceber, eles chegaram à área das vilas.
Havia muito menos pessoas por ali.
Afinal, era uma área reservada para hóspedes VIP, inacessível a turistas comuns.
A paisagem aqui também era diferente.
Cada vila fora construída na encosta da montanha, com jardins projetados para se harmonizar com o terreno, cada um único e elegante.
O ambiente ficou mais silencioso.
Embora fosse pleno inverno, a presença de uma fonte termal natural permitia que se ouvisse o canto ocasional de um grilo.
Estar ali trazia uma paz gradual à mente.
Eles caminhavam em direção à vila de Marcos Dourado quando, de repente, ouviram uma conversa.
— Vocês exageraram hoje! Aquele Marcos Dourado é, afinal, um homem do Sr. Ortega. Se ele for se queixar, o Sr. Ortega pode ficar irritado.
— Se o Sr. Ortega ficar irritado, paciência!
— Foi o Marcos Dourado quem procurou por isso!
— Ele sabia que o Diretor Freitas estava lá e mesmo assim ficou dando em cima da Sra. Lacerda!
— O Diretor Freitas mal tinha acabado de dizer que cuidaria da Sra. Lacerda para sempre, e ele vai e diz à imprensa que a protegerá por toda a vida.
— Isso não é um tapa na cara do Diretor Freitas em público?
— Quando ele disse aquilo aos repórteres, o Diretor Freitas estava bem atrás de mim. Você não tem ideia, o rosto do Diretor ficou verde!
— Eu acho que o Marcos Dourado mereceu apanhar!
— No salão, todo íntimo com a Sra. Lacerda, e o Diretor Freitas só observando. Você acha que ele se sentiu bem com isso?
— Mas eles já não se divorciaram?
— Se já se divorciaram, Valentina Lacerda não pode mais encontrar outro homem?
— Aí é que você não entende!
— Homem é assim! Mesmo depois do divórcio, ele ainda acha que aquela mulher só pode ser dele.
O grupo riu e se afastou.
Valentina Lacerda ouviu toda a conversa deles.
Mesmo que quisesse fingir que não ouviu, era impossível.
Seu rosto corou de constrangimento, e ela disse:
— O que aconteceu hoje foi por minha causa.

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