Ele instintivamente abriu os braços e a envolveu em um abraço apertado.
Valentina Lacerda lhe deu um beijo no rosto e em seguida encostou os lábios nos dele.
Ela ficou na ponta dos pés, com os olhos radiantes de alegria, segurou o rosto dele com as mãos e disse:
— Feliz aniversário, meu amor!
Ela esperou a noite inteira só para, assim que desse meia-noite, ser a primeira a lhe desejar feliz aniversário pessoalmente.
E o que foi que ele fez?
Agora, quando Benjamin Freitas pensava naquele momento, sentia vontade de voltar no tempo apenas para acertar um soco em si mesmo.
Ele afastou friamente os braços de Valentina Lacerda, empurrando-a para o lado.
Valentina Lacerda cambaleou alguns passos para trás, batendo o corpo na mesa do hall de entrada. O vaso sobre a mesa tombou e se despedaçou no chão.
Ela ficou olhando, atônita, para os cacos espalhados pelo piso. Tremendo, abaixou-se, querendo recolher os pedaços.
Benjamin Freitas achou aquilo um absurdo.
— Deixe para os funcionários limparem isso. Está querendo mostrar o quê com essa atitude?
Ele a agarrou pelo pulso de maneira rude, puxando-a para que se levantasse.
— Ninguém nunca te contou que eu não comemoro aniversário? Guarde bem o seu papel aqui. Só precisa cuidar da Estrela, nada além disso. O resto, nem pense!
Até hoje, ele se lembrava de Valentina Lacerda parada ao lado, sem saber como reagir diante da fúria repentina dele, sentindo-se humilhada e perdida.
As lágrimas giravam nos olhos dela, os lábios tremiam quando murmurou um “desculpe”.
Diante do medo e da tristeza da jovem, Benjamin Freitas apenas suavizou um pouco o tom.
— Não faça mais esse tipo de besteira!
Deixando essas palavras no ar, ele subiu direto para o quarto de hóspedes.
Ele sequer voltou à suíte principal naquela noite.
Naquele dia, descontou toda a raiva—provocada pela humilhação que sofreu do pai—em sua esposa inocente.



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