Benjamin Freitas acabou não voltando para o Residencial Jardim do Sol.
Passou a noite inteira dentro do carro.
Ficou ali, observando aquela casa imponente à sua frente.
Antes, não importava o quanto chegasse tarde, as luzes da sala e do hall sempre estavam acesas para ele.
Não importava o quanto demorasse, sempre havia alguém esperando por ele.
Mas agora, o silêncio ali era tão sufocante que mal conseguia respirar.
Não queria voltar, não queria encarar aquele vazio.
Preferia passar a noite inteira no carro…
Pegou o celular e abriu a galeria de fotos.
No aparelho, só havia imagens da Estrela. Será que aquela menina estava bem agora?
Será que a família Ortega estava mesmo cuidando dela como deveria?
Foi deslizando o dedo pela tela, até encontrar uma foto tirada em Porto Dourado do Atlântico.
Ficou olhando para aquela imagem, com o polegar suspenso sobre o visor, sem conseguir tomar nenhuma atitude.
Naquela foto, aquela mulher parecia mais radiante do que ele jamais imaginara.
Uma mulher assim, ao seu lado durante cinco anos, e ele nunca tinha de fato olhado para ela.
Nunca sequer pensou que um dia aquela mulher, sempre tão carinhosa e gentil, seria capaz de pedir o divórcio de forma tão determinada, sem deixar qualquer possibilidade de reconciliação.
Ao pensar na decisão dela, Benjamin Freitas apagou a tela do celular.
Ele sabia, no fundo, que o que sentia por Valentina Lacerda já não era mais simples desejo de posse ou orgulho ferido.
Muito antes de perceber, ele já tinha se apaixonado por aquela mulher.
Só que, quando se deu conta desse amor, já era tarde demais.
Como empresário, ele sabia bem a importância do tempo certo para tudo.
Ele e Valentina Lacerda se amaram, mas nunca estiveram apaixonados ao mesmo tempo.
Agora, não importava o quanto tentasse, nada do que fizesse poderia apagar o que ela sofreu por causa dele.
De qualquer forma, ela nunca mais voltaria para ele.
Entre eles, não havia mais volta.
Desde o ano em que entrou para o mundo dos negócios, já tinha aprendido uma coisa:
"Se você perder o momento certo, o melhor é aceitar a perda, senão o prejuízo pode ser ainda maior."

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