Vanessa Soares entrou no quarto.
Antes mesmo que ela pudesse trocar os sapatos por chinelos e tirar o casaco acolchoado, Helena Barbosa já havia se aproximado.
O olhar de expectativa nos olhos da filha deixava Vanessa sem saber por onde começar.
Helena Barbosa já não tinha mais paciência para esperar.
Ela segurou a mão de Vanessa Soares.
— Mãe, e aí? Fala logo!
Vanessa olhou para a filha, tomada por sentimentos conflitantes.
Não pôde evitar que as palavras de Ben, ditas no escritório, viessem à sua mente.
— Vanessa, tente olhar para a Helena Barbosa fora do papel de mãe. Pense bem: essa menina realmente tem vocação para pesquisa? As coisas que ela faz... só de ver rapidamente na internet, já percebo que a conduta dela não é das melhores. O que ela faz, será que é só exagero online ou a situação é ainda pior do que parece? Você, melhor do que ninguém, sabe a resposta.
— Quando você me recomendou a Valentina, disse que ela era como sua filha, pediu que eu cuidasse dela.
— Agora, veja o que Helena Barbosa fez com Valentina Lacerda. Se você não se sensibiliza, eu me sensibilizo!
— E ainda quer que eu aceite Helena Barbosa como minha aluna!
— Não é só uma questão de capacidade. Mesmo que ela fosse talentosa, por consideração à Valentina, eu não aceitaria.
Helena percebeu que Vanessa a encarava sem dizer nada. O sorriso foi sumindo de seu rosto.
— Mãe... não me diga que você não conversou direito com o Bento Godoy?
Desde que Vanessa entrara em casa, sequer tomara um copo d’água e já era pressionada pela filha sobre o assunto do orientador.
Esse comportamento de Helena já era parte do cotidiano de Vanessa.
Como a própria Helena dizia, era uma dívida de mãe para filha...
— Helena, o Ben não está mais aceitando doutorandos. Você sabe, nessa idade, quase aposentados, orientar um doutorando exige um esforço enorme...



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