O médico retirou a máscara.
— O paciente sofreu um trauma grave na cabeça. Já localizamos o ponto de hemorragia e conseguimos conter o sangramento interno por enquanto.
— O quadro ainda requer observação contínua.
— Caso o coágulo intracraniano não se dissolva sozinho, será necessária uma segunda cirurgia.
— Agora, o paciente foi transferido para a UTI. Assim que a equipe de enfermagem terminar os preparativos, os familiares poderão entrar para vê-lo.
Benjamin Freitas assentiu, mostrando que havia entendido.
Ao lado, Nádia Assunção não sabia o que dizer.
Antes, ela só via o Diretor Freitas como um homem elegante, rico e competente. Inevitavelmente, sentia uma admiração por ele, chegando até mesmo a pensar que Valentina Lacerda não era digna dele.
Mas agora...
Ao olhar para o homem ao seu lado, Nádia começou a se sentir aliviada por ter voltado à razão a tempo.
— Diretor Freitas, por que o senhor não vai descansar um pouco? Eu posso ficar aqui por enquanto.
Benjamin Freitas acenou com a mão, recusando.
— Pode ir.
Nádia Assunção não insistiu mais.
Ela ainda precisava retornar à empresa para lidar com os membros do conselho.
— Diretor Freitas, qualquer coisa me ligue. Vou pedir para a funcionária levar algumas roupas limpas para o senhor e para a senhora.
Dizendo isso, Nádia Assunção deixou o hospital.
O corredor silencioso ficou apenas com Benjamin Freitas.
Ele soltou um suspiro pesado, sentindo como se o ar ali estivesse sufocando-o.
Afrouxou a gravata, deixando-a pendurada na mão. A camisa, antes tão impecavelmente abotoada, agora estava aberta nos dois primeiros botões. Toda a sua postura imponente parecia ter desaparecido.
Olhou pela janela. O dia estava surpreendentemente bonito, o inverno trazia um calor suave e, ao longe, já se via enfeites de Natal pendurados no shopping.
No entanto, ele nunca se sentira tão perturbado quanto agora.
Nem mesmo o tabaco conseguia abafar...



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