— Não faz mais sentido.
Beatriz Vaz soltou o pulso dela e sorriu, um sorriso bem fraco. Ela olhou para as duas pessoas esquecidas de tudo à beira do rio, com o coração já dormente de dor.
Giovanna Mendes olhou para ela daquele jeito, com tanta pena que nem sabia o que dizer.
A Beatriz Vaz que ela conhecia não era assim, ela tinha mudado muito. Uma relação patética realmente era o suficiente para mudar uma pessoa?
Antes, Beatriz ficava feliz o dia inteiro por um elogio de Thiago Monteiro. Se fosse ignorada, arranjava desculpas para ele. A mulher cujos olhos sempre tinham brilho agora estava ali, vendo o próprio marido beijando outra mulher, sem nenhuma expressão no rosto.
A respiração de Giovanna pareceu congelar.
Beatriz nunca teve o amor dos pais desde criança. Ao conhecer Thiago, achou que tinha encontrado um salvador, sem imaginar que, pelo contrário, ele a empurraria de novo para o abismo.
Giovanna respirou fundo, pegou o celular e apertou o botão para tirar foto daquelas duas pessoas. O flash piscou, mas os dois ao longe não perceberam.
Ela tirou mais algumas. Suas mãos tremiam muito, e algumas fotos saíram borradas.
— Para servir de prova — a voz de Giovanna soou dura, olhando para eles com ferocidade. — Essas são provas da traição, vão te ajudar a deixar ele sem nada depois.
Beatriz curvou os lábios, não olhou para as fotos nem para as duas pessoas ao longe de novo.
Ela se virou e caminhou em direção à rua. O vento noturno bateu, trazendo o frio do início do outono. Ela se encolheu no casaco, com uma voz apática: — Vamos voltar, a Dona Regina ainda está me esperando.
Giovanna guardou o celular e a seguiu, dando alguns passos e olhando para trás mais uma vez.
As duas pessoas já haviam se separado. Thiago segurava a mão de Melissa Valente, andando para o outro lado da rua. Ela cuspiu no chão e apertou o passo para alcançar Beatriz.
O saguão do hotel era luxuoso, os lustres de cristal refletiam uma luz amarela e quente.
Thiago reservou dois quartos. Quando entregou o cartão para Melissa, ela não pegou. Apenas o olhou, ainda com os olhos vermelhos.
Thiago colocou o cartão na mão dela, e a ponta dos seus dedos tocou a palma dela. O coração dele deu um salto.
A porta do elevador se fechou. Melissa ficou ao lado dele. Havia a distância de um punho entre os dois. No ar, ainda restava a fragrância floral dela. O ar parecia ter ficado ambíguo.
A porta abriu. Thiago acompanhou Melissa até a porta do quarto. Ela passou o cartão, a porta abriu e ela entrou. Virou-se e olhou para ele, ainda com aquela mesma expressão de dar pena.
— Não quer entrar para sentar um pouco?
Thiago parou na porta, com duas vozes brigando na cabeça. Como se fosse o efeito do álcool, sua boca secou. Ele hesitou um pouco, mas acabou entrando. A porta se fechou atrás dele.
Apenas uma arandela estava acesa no quarto. A luz era fraca.
Melissa virou-se para ele. A luz refletia em seus grandes olhos marejados. Ela estendeu a mão e desabotoou o primeiro botão da gola. O movimento foi bem lento.
Thiago não disse nada. A clavícula de Melissa ficou à mostra. A pele exibia um brilho suave sob a luz. A garganta dele se moveu, e os olhos escureceram.


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