Thiago saiu correndo atrás, ignorando tudo.
A entrada do bar estava com luz fraca. Melissa correu rápido de salto alto. O vento agitou a barra do vestido. Ela limpava as lágrimas, mas elas não paravam de sair.
Thiago apertou o passo e a agarrou pelo pulso na esquina. A voz nervosa apitou no ouvido.
— Melissa!
Melissa chacoalhou a mão dele. Virou-se, de olhos avermelhados, o tom de voz trêmulo e esgoelado no choro, como quem acabou de ter o coração dilacerado.
— Eu sabia que o seu amor era a Beatriz. Podia ter me dito as coisas antes. Eu não sou alguém que se gruda nos outros sem sair do pé. Thiago, as ilusões vieram de você.
Thiago olhou as lágrimas pelo rosto dela e o coração sofreu um baque de aperto.
Não passava em sua cabeça por que o cérebro afrouxara, soltando os fatos pela boca entre aquelas pessoas todas. Mentir na lata de que o caso com Beatriz já era história ele não podia, mas soltar a Melissa estava fora de cogitação.
Ainda por cima a garota descia os degraus dos processos de divórcio, caçada pelas mãos do ex-marido, trancafiada no país sem apoio de ninguém. Essas questões amontoadas faziam o coração dele morrer de pena.
Melissa ia zarpar. Thiago se jogou para cima ignorando o chacoalhar do corpo e cravou a mulher pelos braços, acochando tudo ao seu lado amarrado.
Ela socou o sujeito, o fôlego perdendo vida até amolecer. Bateu a cara contra o peito e soltou choros.
— Não seja assim, Melissa. — Thiago aplanou o rosto no couro cabeludo dela. As palavras desciam roucas. — Por favor.
Melissa ensopou o tecido com a umidade dos olhos, embargada. — Se o sentimento não existe para mim, então deixa. O papel de chiclete amarrado eu não quero.
Ele se fez de mudo, os ares do rio batendo pela coluna dele empurrando brisa do rio gelada.
O bater queixo da companheira vibrava nas costelas, por culpa do corpo morrendo em choro e gelo. Os apertos de cima cresceram. — Deixe pra lá, Melissa. Você é dona de mim.
A mulher ergueu a nuca na cara dele. Os globos de água se arrebentando ali. — Tá falando a verdade?
Thiago afastou uns fios bagunçados atrás das orelhas dela, enfiando um carinho triste pelos cantos dos lábios. — Lógico que sim, esqueça isso. Naquela hora lá só cabia essas coisas em voz. O sentimento bate mais por você no fim das contas.
Melissa se aquietou, pregou debaixo do corpo de Thiago amarrando a ponta da camisa enquanto balançava na voz gasta.
O tempo passou correndo antes de ela meter o pescoço e questionar cheia de incertezas. — Divorciar da Beatriz vai virar um sim para mim?
As pernas do Thiago deram uma pausa. Rosto em rugas.
Era fato, mas os papéis nunca passaram por aí. Beatriz mandava nas finanças de casa. Isso soava muito bem no ouvido dele.
A mão dela botava a janta pronta, espelhava a poeira e não esquecia a luz para os dias de sufoco pela noite. O vício bateu solto nos hábitos e afogar os contos não estava nas pranchetas.



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