Beatriz amparou Vovó Adelaide pelo pátio por algum tempo. Quando estavam prestes a voltar, uma voz as alcançou.
— Beatriz, já que você voltou, prepare o jantar hoje. Quero peixe à moda Myeong-dong e sopa de cabeça de peixe.
A Sra. Monteiro tinha aparecido sem que ninguém notasse. De pé no corredor e de cabeça erguida, olhava para elas com a sua pose de chefona.
O tom dela soou automático, como se estivesse mandando na faxineira. Jogou um olhar para Beatriz e preparou-se para virar as costas.
— Sinto muito. — A voz de Beatriz ecoou no tempo certo, firme, sem nenhum traço de submissão. — Não posso cozinhar hoje. Fica difícil.
A Sra. Monteiro parou de andar. Virou o corpo, estreitou os olhos sem acreditar. Estranhou a mulher na sua frente de repente, franzindo a testa. — O que você disse?
Antigamente, sempre que ia à Mansão, Beatriz via como ninguém a suportava, exceto Vovó Adelaide.
Por causa disso, abaixava a cabeça. Cozinhava, lavava a louça e servia chá na esperança de alegrar a Sra. Monteiro.
O que ganhava de volta era humilhação pesada. Só que ela via isso como dever da esposa de um Monteiro, já que o seu amor por Thiago justificava engolir sapo.
Agora, isso já não era preciso.
— Falei que fica difícil. — Beatriz reforçou. Falou mais alto para garantir que a Sra. Monteiro escutasse muito bem.
A expressão da Sra. Monteiro carregou. Na cabeça dela, Beatriz nunca teve peito para falar naquelas palavras.

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