Os lábios de Beatriz curvaram-se involuntariamente. Ela entrou depressa. — Vovó, cheguei.
Vovó Adelaide estava no sofá da sala. Ao vê-la entrar, os olhos brilharam. — Bia! Venha aqui, deixe a vovó te ver.
Puxou a mão de Beatriz e analisou-a. Assentiu com a cabeça em sinal de aprovação. — Você emagreceu, mas está com uma cor melhor. Soube que voltou a trabalhar?
Beatriz ia abrir a boca quando um tom carregado de deboche ecoou ao lado. — Ela? Capaz de trabalhar? O que ela faria? Varrer o chão para os outros?
Quem falava era a mãe de Thiago, a Sra. Monteiro.
Estava encostada no sofá, as pálpebras baixas. O tom era de puro desprezo. — Dava para ajudar a Dona Marta a fazer o jantar. Só faz coisas sem utilidade.
A atmosfera na sala gelou de vez. A expressão de Vovó Adelaide pesou. Ela ia intervir, mas Beatriz sorriu primeiro. — A senhora tem razão. Eu não sei fazer grandes coisas. É só trabalho braçal no Instituto, arrumando dados e fazendo o que dou conta.
A Sra. Monteiro finalmente levantou os olhos. Riu com escárnio. — No Instituto? Só pode ser piada. Uma inútil igual a você não tem vergonha de pisar lá?
Vovó Adelaide ficou com a feição ainda pior. — Verônica, a Bia mal volta e você não pode dizer algo que preste?
A Sra. Monteiro revirou os lábios e preferiu ficar quieta.
Beatriz abaixou a cabeça com uma cara séria.
Estava tão acostumada a ouvir aquilo nos últimos cinco anos. Antes, ouvia aquilo e sempre corria para agradá-la. Afinal de contas, importava-se com Thiago e não queria ter problemas com a mãe dele.
Mas agora já não fazia diferença.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Fim da Ilusão: Grávida de Gêmeos de Outro Homem