Maurício Drumond viu Beatriz Vaz na luz do corredor.
Ela estava encolhida no canto como uma bolinha, com o rosto pálido e sem sangue. O cabelo da testa estava ensopado de suor frio, colado ali, bagunçado.
Seus olhos estavam semicerrados e o olhar se perdia, mas quando viu a figura alta na contraluz da porta, os lábios dela se moveram, incapazes de soltar uma palavra.
Os olhos de Maurício Drumond ficaram frios. Ele entrou rápido no lugar e pegou-a no colo.
Seu corpo estava gelado e leve. Quando encostou no peito dele, estava tremendo um pouco.
Ele olhou para os olhos fechados e os lábios descoloridos. O pomo de adão subiu e desceu e a voz soou muito mais rouca do que o normal. — Passou, Beatriz. Vou te tirar daqui.
Maurício Drumond segurou Beatriz Vaz, saiu rápido da sala de arquivos, cruzou o corredor e entrou no elevador. No momento em que as portas se fecharam, ele olhou para Beatriz Vaz, já inconsciente nos braços dele.
Ele fechou a expressão, com uma emoção complexa transparecendo no olhar.
Não ousava imaginar o que teria acontecido se tivesse chegado minutos depois.
Na emergência do hospital, o médico colocou Beatriz Vaz na sala de observação para receber soro e oxigênio. Maurício Drumond ficou no corredor, com as mãos no bolso da calça social, olhando para o vidro sem expressão.
O rosto de Beatriz Vaz estava um pouco melhor, a cor ia voltando aos lábios, mas ainda tinha a testa franzida, como se mesmo inconsciente não tivesse se livrado do medo da escuridão.
Ele guardava a entrada no corredor sem dar um passo.
...
Não se sabe quanto tempo se passou. Thiago Monteiro finalmente conseguiu se afastar de Melissa Valente.
Ele saiu do quarto de Melissa Valente, esfregou o ombro que doía e, de repente, lembrou-se de algo que o fez ficar imóvel.
Beatriz Vaz ainda estava na sala de arquivos!
Tirou o celular, ligou para o escritório e a voz saiu quase num grito. — Cadê a Beatriz? Ela ainda está na sala de arquivos?
Ele pensou na claustrofobia de Beatriz Vaz, nela trancada tanto tempo naquela sala escura. O peito doeu.
Sua voz revelou uma rara aflição e ansiedade. Sumira a postura controlada de sempre. — Beatriz tem claustrofobia, ela corre perigo de verdade. Tenho que ir.
Vendo aquele estado de nervos, Melissa Valente foi tomada por ciúmes. Mas o rosto ainda segurava a aparência de coitada.
Inclinou a cabeça. — Todo mundo tem celular hoje. Como assim claustrofobia? A luz do celular não serve?
Thiago Monteiro de repente achou que Melissa Valente tinha razão. O celular tem lanterna, Beatriz Vaz sabia lidar com a escuridão. Com o celular não seria tão grave.
Ele hesitou e a aflição no rosto abrandou.
Melissa Valente aproveitou para encostar no abraço dele, com o rosto colado em seu peito, sussurrando. — Thiago, acho que sua mãe gostou de mim. Hoje no jantar ela me falou tantas coisas. Ela quer que eu cuide de você e do nosso bebê.
Ao ouvir isso, Thiago Monteiro assumiu uma cara feia, olhou para ela recostada em seu colo, e num raro tom frio e de alerta avisou: — Não vai colocar ideias na cabeça da minha mãe.

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