Melissa ergueu os olhos e encontrou o olhar calmo, quase congelante de Beatriz. Por alguma razão, sentiu-se culpada.
A mão que segurava o estômago se afrouxou instintivamente, e ela não conseguiu pronunciar uma palavra.
Beatriz se endireitou, lançou-lhe um último olhar e disse, com a habitual frieza em sua voz: — Se me parar de novo, não respondo por mim.
Ao terminar de falar, deu as costas e foi em direção ao elevador. Seu andar era firme, sem nenhuma hesitação.
No escritório presidencial do andar de cima, Maurício estava em frente à janela, observando a figura de Beatriz passar pela entrada da empresa e acenar para um táxi na rua.
A postura dela pelas costas era rígida e decidida. O olhar de Maurício mostrou algo difícil de decifrar.
Beatriz chegou rapidamente ao clube privado que Verônica havia indicado.
O clube ficava escondido em um beco tranquilo. A decoração no interior era requintada, e havia um leve aroma de sândalo e chá no ar.
Ela procurou pelo número da sala e encontrou o ambiente no fim do corredor. Abriu a porta, e a Sra. Monteiro já estava esperando.
Hoje ela usava um vestido tradicional elegante de veludo verde-escuro, e seu cabelo estava preso com perfeição. Um bule de argila em sua frente exalava o vapor de um Chá Verde Premium.
Beatriz sentou-se de frente para a Sra. Monteiro. Ignorou as formalidades e foi direto ao assunto. — A certidão de divórcio saiu?
A Sra. Monteiro levantou o bule para servir o chá, seus movimentos calmos e graciosos.
Ela empurrou a xícara em direção a Beatriz antes de olhar para cima. Tinha um sorriso significativo nos lábios. — Está com tanta pressa para se divorciar?
Beatriz não evitou o contato visual e respondeu tranquilamente: — Sim, já esperei por muito tempo.
A Sra. Monteiro olhou para os olhos limpos e firmes de Beatriz e riu do nada.
— Eu gosto da sua sinceridade. Tudo bem... — Ela disse, estendendo a mão e empurrando a sacola que estava ao seu lado. — O que você quer está aqui.
Beatriz olhou para a sacola de papel e não pôde conter um leve tremor no corpo.
Olhou para a Sra. Monteiro. — Quanto tempo?
A Sra. Monteiro tomou um gole de chá, riu e falou como se não fosse nada. — Talvez um ou dois meses. Se conseguir ajudá-lo na licitação, pode ir embora ainda mais rápido.
O olhar de Beatriz congelou. Ela apertou as mãos em punhos.
Ela entendeu. A Sra. Monteiro estava apenas usando-a, explorando até a sua última gota de valor.
Fazendo dela uma peça de xadrez para a carreira de Thiago, para depois jogá-la fora.
E querendo espremer até a última gota antes de descartá-la.
Ela olhou para o rosto perfeito da Sra. Monteiro, pensando que a mãe e o filho eram repugnantes.
Mas, por enquanto, não havia outra saída.

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