Fábio ainda estava de rosto fechado e, ao ouvir aquilo, soltou uma risada fria: "Ela tem outra pessoa no coração, para que eu continuaria ocupando esse lugar?"
"Que bobagem, a única pessoa que ela ama é você!"
"Talvez já tenha gostado antes," a frieza ao redor de Fábio foi, num instante, substituída por uma aura de melancolia, "agora não mais."
……
Gina chegou ao hospital, comentou de leve sobre o ocorrido na noite anterior enquanto comia uma coxinha recheada de caldo.
Isabela, ao tentar pegar uma coxinha, deixou-a cair no prato, e em seguida explodiu numa torrente de palavras cheias de indignação.
Prevendo a reação, Gina sabiamente usou a tampa da marmita para se proteger dos respingos de farelos de carne e saliva que saíam da boca de Isabela.
Isabela, depois de descarregar tudo, resumiu: "Esse tal de Marques até que tem coragem, mas isso não muda o fato de que ele é um cafajeste."
Gina espetava a coxinha com o garfo: "O pai do Paulo ocupa um cargo alto, e depois dessa surra, ainda não sabemos quais serão as consequências."
Isabela respondeu: "Apanhou e pronto, você ainda está casada com o Fábio, mesmo que estejam se separando, os papéis ainda não saíram. Oficialmente, você ainda é a Sra. Marques. Só levar uma surra foi até pouco para aquele desgraçado, ele não tem do que reclamar."
Nenhuma das duas duvidava de que Paulo só tivesse levado uma surra e, no máximo, quebrado uma mão ou uma perna.
Mas, à tarde, Isabela inesperadamente soube de uma fofoca interna, e ficou tão chocada que arregalou os olhos.
"Gina," a expressão de Isabela era complicada, sentindo ao mesmo tempo raiva e admiração por Fábio, "o negócio do Paulo foi destruído pelo Fábio."
Gina levantou os olhos, surpresa: "...A informação é confiável?"
"Totalmente confiável."
Gina permaneceu em silêncio. Era como se alguém tivesse jogado algo entre doce e amargo em seu lago interior, deixando um sabor misturado e confuso.
Na opinião dela, aquele desgraçado até merecia morrer, mas considerando o status do pai dele, do ponto de vista geral, Fábio não deveria ter ido tão longe.
Ela não sabia se Fábio havia exagerado sem querer ou se, desde o início, queria acabar com Paulo.
Pensando bem, provavelmente foi a primeira opção.
Por sorte, estava no hospital. Avisou Isabela que daria uma volta no andar de baixo e foi rapidamente à ala de ginecologia.
O resultado do exame saiu rápido, e não era nada grave. O médico disse que, no início da gravidez, o aparecimento de secreção rosada era normal e, na ausência de dor abdominal, não havia motivo para preocupação.
O coração inquieto de Gina finalmente se acalmou.
Ao voltar para a ala de ortopedia, recebeu uma ligação da enfermeira, avisando que tinha esquecido um dos resultados dos exames e que deveria buscá-lo.
Gina tirou o boletim da bolsa para conferir qual exame havia faltado e, enquanto caminhava em direção ao elevador, alguém a alcançou por trás.
"Gina..."
Gina ergueu a cabeça de repente, apressando-se para esconder o exame na bolsa, mas já era tarde demais.
Henrique era médico, bastou um olhar para entender do que se tratava.
Gina ficou alguns segundos paralisada, por fim, resignada, deixou os ombros caírem: "Tem um tempo? Posso te pagar um café."

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