Assinar um... nada.
Os lábios finos de Fábio se comprimiram numa linha fria e indiferente, seus dedos apertavam com força, mas, infelizmente, o corpo da caneta era rígido demais para se partir.
Gina ainda o fitava: "Assina logo, não há problema no acordo, está igualzinho ao anterior."
Fábio largou a caneta: "Vamos tomar café da manhã antes. Sem comer, não tenho forças nem pra assinar."
Gina estava especialmente complacente naquele dia: "Tudo bem, eu espero."
Fábio remexia a tigela de mingau com a colher, o tilintar da porcelana soava impaciente: "Desse jeito, quem não souber vai pensar que o cartório de registro civil te deu uma meta de produtividade."
Gina sorriu: "Melhor uma dor curta do que longa."
Cada palavra era como uma lâmina atravessando o coração. Sr. Marques largou a colher, sua voz tornou-se gélida: "Nosso casamento te dói tanto assim? Gina, quando nos casamos não vi você rejeitar tanto. Em poucos anos, você quer jogar fora nosso casamento como se fosse lixo. Sou algum tipo de pessoa desprezível pra você?"
Gina pensou que, na verdade, ela é que era desprezível.
Se não fosse por isso, jamais teria aceitado se casar sabendo que era apenas uma substituta. Arrogantemente achou que poderia ocupar o lugar de outra, só para se dar conta, dolorosamente tarde, do erro.
Antes, ela teria dito tudo isso. Agora, depois de terem chegado a esse ponto, já não queria mais falar.
Gina pegou a caneta e a recolocou na mão dele: "Os sentimentos das pessoas mudam. Nada permanece igual para sempre."
No peito de Fábio, uma chama rodava, prestes a transbordar pelos olhos: "Então você se apaixonou por outro. Não quer ser presa nesse casamento, quer se divorciar logo para buscar sua liberdade e encontrar seu verdadeiro par?"
Ela não se importava com o que ele pensasse: "Se é assim que você quer pensar, não posso fazer nada."
Essas palavras cruéis fizeram Fábio rir de raiva: "Ótimo, muito bem."
Ela viu que, apesar das palavras, o olhar dele parecia querer devorá-la viva.
Com calma, Gina disse: "Não precisa me elogiar, eu sei muito bem quem eu sou. Assina logo, senão o café vai esfriar."
A empregada, ouvindo a troca cortante dos dois, ficou tão aflita que sentiu o peito apertar. Será que esse casal não podia abrir o coração e conversar direito? Precisavam mesmo se tratar assim? E se o senhor, pressionado, assinasse o divórcio por impulso...
"Tudo bem, eu assino."
O coração de Gina disparou, e Fábio também olhou para a senhora.
A avó Morena sentou-se ao lado de Gina, exibindo um sorriso dócil de idosa: "A guarda fica com a Gina, certo? Coloquem isso no acordo antes de continuar."
Fábio: "..."
Gina: "..."
O coração de Gina subia e descia como uma montanha-russa; por um momento, pensou que a avó já soubesse de sua gravidez.
Com a avó ali para atrapalhar, dificilmente conseguiriam assinar aquele acordo.
De qualquer forma, talvez fosse melhor seguir pelo caminho judicial.
Gina afagou os cabelos prateados da senhora: "Vó, tome seu café. Eu vou indo."
A senhora não conseguiu detê-la. Quando a porta se fechou, ela lançou um olhar severo para o neto do outro lado: "Ela pede pra você assinar e você assina? E toda aquela teimosia, onde foi parar?"

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