Ele não terminou a frase, mas todos entenderam as suas preocupações.
Lília Andrade e a mãe também olharam para Vicente Freitas.
Vicente Freitas disse com um tom confiante:
— Não terá, fiquem tranquilos. Embora a Maia seja pequena, os pensamentos dentro do coração dela sempre foram muito firmes.
— Ela sabe o que está fazendo e sabe o que quer.
— Ela não vai ser facilmente abalada por poucas palavras de outras pessoas.
— Caso contrário, ela não teria chegado em casa e contado tudo o que aconteceu hoje de uma só vez.
— Vocês precisam acreditar nela e também devem acreditar em mim.
— Afinal, sou psicólogo, e a Maia recebe os meus ensinamentos todos os dias. Vocês acham que essas meras tentativas de engano podem mudar o pensamento dela?
Desde o princípio, Ronaldo Silva já era um oponente derrotado por ele.
E, com a atitude que ele teve agora, havia perdido de forma ainda mais completa!
No mínimo, o próprio Vicente Freitas nunca havia difamado o outro na frente de Maia.
Mesmo permitindo que Maia tivesse contato com ele agora, não havia exigido que ela tratasse o tal de Silva com frieza.
Ele apenas ensinava a Maia os princípios corretos a se seguir, as formas de lidar com as pessoas e os assuntos, além da mentalidade com a qual deveria encarar os fatos, fortalecendo a psicologia dela para que pudesse discernir o certo do errado e compreender a verdade.
Guiando-a sempre na melhor direção possível.
Até mesmo na questão de ser o pai dela, Vicente Freitas nunca deu à criança qualquer tipo de indireta.
Sempre deixou que a própria criança fizesse as suas escolhas!
Ele só queria que Maia aprendesse a ser gentil e educada, gravando os bons princípios na própria essência!
Com essas palavras de Vicente Freitas, o casal Jobson Andrade se sentiu um pouco mais aliviado.
— Você tem razão, a Maia é uma criança muito inteligente, ela com certeza sabe como deve agir!
A capacidade de Vicente Freitas estava comprovada.
Maia era neta deles, e mesmo que o sangue de Ronaldo Silva corresse em suas veias, metade da essência dela vinha da genética da própria filha.
Quando era pequena, a filha queria estudar medicina e, desde que tomou a decisão, estava certa de que conseguiria fazer um bom trabalho.
Apesar das dificuldades iniciais que a fizeram chorar e buscar consolo em casa com eles, ela nunca pensou em desistir daquilo que queria.
Ele, assim como ela, guardava Maia no fundo do coração.
Com as habilidades dele, se houvesse algo errado com Maia, ele já teria intervindo há muito tempo.
Ele jamais permitiria que as coisas continuassem avançando daquela forma.
Maia não sabia o que os adultos estavam discutindo.
Naquele momento, após terminar de lavar as mãos e voltar, Lília Andrade e os outros também encerraram o assunto e se levantaram para acompanhar a pequena na refeição.
Diferente da atmosfera morta do almoço, o jantar com a família reunida transcorreu em um clima muito aconchegante e alegre.
Como estava de muito bom humor, Maia até comeu meia tigela a mais de comida.
...
Por outro lado, Ronaldo Silva retornou à sua casa. A sua aura continuava carregada e pesada, com uma frieza de quem dizia "não se aproxime".
Ao ver o rosto sombrio do chefe, Roberto Lacerda ponderou diversas vezes antes de finalmente reunir coragem suficiente para sugerir:
— Senhor, o senhor não gostaria de pedir conselhos a outras pessoas sobre experiências em cuidar de crianças?
Comparado à consideração, gentileza, tolerância e mimos de Vicente Freitas.

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